Planta Símbolo

Neoregelia brownii  Leme
Foto: Talita Mota Machado

Neoregelia brownii  Leme foi descrita para ciência em 1997 e o epíteto específico homenageia pesquisador em sistemática das Bromeliaceae, o norte-americano  Gregory K. Brown. A espécie foi registrada pela primeira vez nas matas nebulares que ocorrem acima de 1.100 metros de elevação nas montanhas do Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (PESBrigadeiro), leste de Minas Gerais. Segundo o Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), mesmo estando em uma unidade de proteção integral, as atividades no entorno do parque vêm resultando no declínio contínuo na qualidade do hábitat da espécie. Até 2016, dezenove anos após ser revelada para ciência, Neoregelia brownii ainda era conhecida apenas por exemplares oriundos da localidade tipo (localidade para qual a espécie foi descrita). Contudo, coletas sistemáticas realizadas em vários ambientes no Parque Nacional do Caparaó (PNCaparaò) revelaram a ocorrência da espécie também em nessa região montanhosa. Essa unidade de conservação localiza-se a 80 quilômetros em linha reta do PESBrigadeiro e ambas apresentam ambientes similares, como os campos de altitude. No PNCaparaó a espécie foi encontrada como terrícola e epífita em mata ripária (na borda de cursos de água), e acima de 1.100 metros de elevação no território do estado do Espírito Santo. O registro para uma nova localidade (e estado) é importante pois amplia o conhecimento sobre a biologia e distribuição geográfica da espécie. Neoregelia brownii é considerada rara por ser conhecida apenas em duas localidades, apresentar ocorrência em habitats específicos e populações com poucos indivíduos. As flores dessa espécie ocorrem inseridas dentro da roseta, uma característica do gênero Neoregelia e por isso, apesar das pétalas longas de cor azulada pode passar despercebida na natureza. Foi escolhida como planta símbolo do XXXVII ERBOT pois, sua distribuição restrita demonstra a peculiaridade da flora da nossa região ao mesmo tempo que o registro para o estado do Espírito Santo ressalta a importância de trabalhos florísticos locais para o conhecimento da biodiversidade brasileira.