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Palavra do Reitor
Palavra do Reitor - Outubro de 2015

Prezados professores (as), servidores (as) e estudantes que compõem a comunidade acadêmica da UEMG, é com grande satisfação que me dirijo até vocês com a nossa instituição assumindo um papel de protagonismo no ensino superior em Minas Gerais. Temos a satisfação de atestar que nos tornamos uma das maiores instituições públicas de ensino superior de Minas Gerais - em número de cursos e de alunos - e nos fazemos hoje presentes em dezesseis cidades do interior além de Belo Horizonte, capital do nosso estado, onde temos cinco unidades acadêmicas. A diversidade cultural existente nas várias regiões onde atuamos é o espelho da nossa própria realidade múltipla e plural e vai ao encontro da condição da UEMG como instituição pública, gratuita e com ensino de qualidade, que atende estudantes por meio de uma vasta gama de cursos superiores de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. Vale ressaltar que mais de 70% dos nossos estudantes são oriundos de escolas públicas.

A UEMG, no seu formato multicampi, se faz presente desde o Pontal do Triângulo Mineiro, através de Ituiutaba e Frutal, passando pelo Sul de Minas, região Centro-oeste e Zona da Mata, até Diamantina, que é a porta de entrada do Vale do Jequitinhonha. Na região Oeste de Minas, a UEMG fez raiz nos municípios de Divinópolis, Cláudio e Abaeté e na região Sul/Sudoeste do nosso estado, através das cidades de Passos, Campanha e Poços de Caldas, localidades nas quais se vislumbra uma grande interatividade social dessas unidades com suas realidades locais, preservando cultura e reforçando identidades e tradições.

Desde que assumimos a gestão, em nosso segundo mandato, buscamos construir coletivamente o entendimento do futuro almejado para a nossa Instituição, estabelecemos e cumprimos novas metas. Algumas ainda desafiam nossos esforços e, nesse ínterim, emergiram-se outras, demandando igualmente nossa atenção e empenho.

A nossa instituição proporciona mais que ensinamento e formação aos jovens residentes nestas regiões. Leva também esperança de dias melhores, pela inserção dos menos favorecidos no ensino superior, preparando-os profissionalmente para um mercado de trabalho que se apresenta cada vez mais exigente e competitivo. Os formandos oriundos das nossas faculdades exercem um papel crucial sobre a economia local, oferecendo serviços e produtos cada vez mais inovadores e diversificados, promovendo novas demandas, e ativando a economia de acordo com a especificidade regional de cada localidade.

Esta é a UEMG que todos queremos para os mineiros! Uma Universidade pública comprometida com as regiões nas quais se insere, por meio dos pilares principais que a norteiam: o ensino, a pesquisa e a extensão.

Sabemos que muitos desafios devem ser ainda superados, mas recordamos que muitos outros já foram vencidos. Reiteramos que os múltiplos aspectos contidos nessas contendas, e naquelas que emergirem, são e serão balizados diretamente no entendimento que os gestores elegeram conjuntamente para nortear nossas ações no período 2014-2018, resumido no alvissareiro slogan “Unidade na Diversidade”.

 

Dijon Moraes Júnior
Reitor da UEMG

 
Palavra do Reitor - Maio de 2013

Cerimônia de Formatura Doutorado em Engenharia, Arquitetura e Design Politecnico di Milano - Itália

No inicio dos anos noventa do século passado, eu atuava no âmbito do design no Brasil onde me dedicava tanto à prática, em escritório próprio e consultorias às empresas, quanto em nível acadêmico junto à minha instituição de origem, a Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG.

Como todos os profissionais em busca de melhor qualificação, sentia a necessidade de aprimoramento e de maior convivência com os protagonistas da minha área de atuação em design, seja no âmbito prático-aplicativo, seja nos aspectos teóricos, culturais e reflexivos dessa fascinante atividade que compreende arte e técnica, ciência e cultura, tecnologia e inovação.

Naquela época, no Brasil, que como sabem tinha e ainda tem nos Estados Unidos da América uma grande referência por tudo que esse país representa na ciência, na tecnologia, na arte e no percurso evolutivo da modernidade, o meu destino natural, seguindo o fluxo dos demais colegas, seria a America.

A minha primeira intenção foi, portanto, continuar meus estudos e minha qualificação profissional junto ao Institute of Design do Illinois Institute of Technology - IIT, conhecido ainda hoje como a New Bauhaus of America.

Cheguei, de fato, às minhas próprias despesas e custas, a me transferir para a cidade de Chicago, onde permaneci por cerca três meses fazendo os preparativos necessários para a inscrição no famoso IIT, que consistia em: curso de língua inglesa, reconhecimento do território onde viveria e aproximação com professores e pesquisas ali realizadas. A metrópole de Chicago, com sua bela arquitetura, ricos museus e grandiosas obras de arte, muitas delas expostas em áreas abertas em praças e jardins, além de ser a cidade dos blues, é também conhecida como a dream city, a cidade de muitos sonhos.

No retorno ao Brasil, justamente para os últimos preparativos para a temporada de qualificação no IIT de Chicago, pelo master of science in design, recebi inusitado convite dos diretores de uma grande empresa local para acompanhá-los como consultor durante a EIMU – Esposizione Internazionale di Mobili per Ufficio aqui em Milão. Cheguei em 1991 à cidade de Milão, que não possuía os arranha-céus de Chicago, seus museus de arte moderna, nem o estilo e estética do American way of life. Curiosamente, algo me chamou a atenção naquela cidade cinza que me lembrou, guardadas as devidas proporções, a cidade de Ouro Preto, na minha região de Minas Gerais, onde se encontra o maior complexo do barroco brasileiro, patrimônio artístico e histórico da humanidade, em titulo outorgado pela UNESCO.

Milão mostrava-se, assim, de imediato, para mim, como sendo mais familiar e próxima que Chicago. Percebi também que nela o design estava presente com maestria não somente nos pavilhões e estandes da EIMU, mas, de igual forma, no estilo dos carros que transitavam pelas ruas, na elegância e garbo dos seus habitantes, na pose, quase arrogante, dos carabinieri que desfilavam pela Galeria Vittorio Emmanuelle e em outros tantos detalhes menores como no desenho da espuma em formato de folha ou coração que sobrepunha um apetitoso e convidativo cappuccino. Apercebi-me também, mais à frente, que a Itália também seduz, além da historia, arte e cultura, pela sua culinária rica e diversa.

Naquela época, apesar de bastante jovem, intuía que o design não era somente o encontro entre arte e técnica. A própria maneira de compor as pedras ou tijolos em uma construção é um gesto cultural, uma maneira de ser e de perceber o mundo, constituindo-se no próprio percurso histórico do homem e, que tudo isso pode determinar uma ação projetual. Neste aspecto, percebi que a Itália tinha muito mais a me oferecer que a América, e Milão, de modo particular, trazia em seu húmus rico e fértil a cultura etrusca, céltica, romana, bizantina, longobarda e do reino de Itália. Isto é: carregava consigo um grande percurso histórico no âmbito do ambiente construído e da cultura material.

Sabia, de igual forma, que a cultura do projeto é um fato moderno, é verdade, mas que a sua raiz passa pelas bodegas artesanais da era medieval e seu refinamento ocorre propriamente no renascimento. Foram dois momentos da historia da humanidade que tiveram a Itália e Milão como protagonistas através de seus ricos artefatos, obras primas na arte e na arquitetura e novos estilos de vida apresentados à humanidade. Não por acaso, o próprio Leonardo da Vinci viveu por mais de dezessete anos em Milão, deixando como legado várias de suas obras monumentais no âmbito da engenharia, das artes e da arquitetura.

Estava decidido, quando do meu retorno ao Brasil após a EIMU, que meu destino mudara e que não mais iria para a América. Assim o fiz, ao me inscrever em curso intensivo de língua italiana e iniciar os preparativos para vir estudar na Itália, mais precisamente no Politécnico di Milano, o mais antigo ateneu milanês, nessa grande Universidade de caráter cientifico e tecnológico, mas também de grande relevância intelectual, templo maior da cultura do projeto, berço de grandes engenheiros, arquitetos e designers. Nesta Universidade que começou como o Regio Istituto Técnico Superiore dentro do Collegio Elvético, em 1608, até a sua instituição como Régio Politécnico di Milano em 1863 para tornar-se, definitivamente, Politécnico di Milano no século XX cujo Campus recebe o significativo nome de Leonardo Da Vinci.

Hoje, cumprido meu propósito, me permito revelar que o destino me preparava uma irônica surpresa: após vencer a barreira da língua, vencer os exames de proficiência de fala e gramática, então exigidos pelo consulado local italiano e superar milhares de candidatos no concurso para obtenção de bolsa de estudos do governo brasileiro, cheguei a Milão em 1992 para realizar o meu mestrado em industrial e visual design na Scuola Politécnica di Design di Milano pensando estar chegando ao Politécnico di Milano. Passados vinte e um anos deste acontecimento, ele pode parecer, aos olhos de todos, um fato insignificante, mas, para mim, não foi bem assim. Após dois anos, concluído o mestrado e retornando ao Brasil, já tinha em mente o meu retorno para o percurso de Doutorado de Pesquisa, PhD em Design, desta vez com endereço correto junto ao Politécnico di Milano.

Após me inscrever no “Edital de Concurso Publico para admissão aos cursos de Doutorados, PhD, publicado no Diário Oficial Italiano n. 55 de 17 de julho de 1998”, para os exames de seleção, me lembro, como se fosse hoje, que eles foram realizados parte na Sede Leonardo Da Vinci, e parte na nova Sede do Politécnico em Bovisa. Éramos, à época, ao todo, 96 candidatos para o XIV Ciclo do Doutorado e havia somente 04 vagas para italianos e 02 vagas para estrangeiros, com provas escritas e orais em italiano e inglês.

Iniciei assim o meu percurso de Doutorado de Pesquisa, PhD em Design no ano 1999, tendo chegado justamente na passagem para o novo século e novo milênio, no período de transição da velha lira para o euro e da unificação monetária europeia no ano 2000. O Politécnico, para mim, representou, desde o inicio, uma vitória pelo fato de ter sido classificado entre tantos candidatos e ter podido iniciar o meu tão esperado doutorado.

Recordo-me, no inicio dos meus trabalhos aqui no Politecnico di Milano, da minha satisfação ao visitar a Sede do Campus Leonardo da Vinci e ver os seguintes dizeres no antigo prédio do Instituto de Química Industrial: “aqui trabalhou o Engenheiro Giulio Natta, onde se desenvolveu o polipropileno, ganhador do Premio Nobel de Química em 1963”. De igual forma me permito citar, no âmbito da Arquitetura, Marco Zanuzo e no âmbito do Design Achille Castiglioni, três protagonistas com poéticas próprias que levaram para o mundo o nome do Politécnico di Milano.

Sentia-me orgulhoso, privilegiado na verdade, por saber que fomos colegas de Ateneu. De alguma forma, pelo viés da cultura politécnica, Nata, Zanuzo e Castiglioni faziam parte também da minha história pessoal, sentamos-nos nos mesmos bancos do Politecnico, frequentamos as mesmas bibliotecas, obtivemos nossos diplomas na mesma instituição, cultivamos sonhos e esperanças acadêmicas comuns.

A passagem pelo Politecnico di Milano, além do diploma de doutorado, me proporcionou mais conhecimento e cultura, me fez mais critico e reflexivo quanto ás questões da cultura do projeto, mas acima de tudo elevou minha autoestima. A cidade de Milão foi também palco de duas passagens muito marcantes na minha vida pessoal: na mesma semana, nesta cidade, recebi o título de PhD em Design pelo Politecnico di Milano e nascia, no Hospital Mangiagalli, o meu primeiro filho, fruto do meu amor com Clarice, brasileira de origem italiana, mais precisamente da família Frigeri da região de Cremona que me acompanhou neste desafio além do oceano. Não por acaso, dei ao meu primeiro filho que nasceu na Itália um nome bastante brasileiro: João Pedro, e ao meu segundo filho, que nasceu no Brasil, um nome italiano, Matteo. Assim, nenhum se sentirá superior ao outro, pois o que nasceu na Itália leva um nome brasileiro e o que nasceu no Brasil leva um nome italiano.

O meu retorno definitivo ao Brasil ocorreu no final do ano 2003 e reiniciei as minhas atividades práticas e acadêmicas em 2004. A minha tese de doutorado, que foi aqui orientada pelos caros professores e hoje amigos Andrea Branzi e Ézio Manzini, como orientador e co-orientador, foi denominada de “A Relação Local-Global: novos desafios e oportunidades para o design – o Brasil como case local” foi por mim adaptada e publicada no Brasil  pela editora Blucher de São Paulo, com o nome de “Análise do design brasileiro: entre mimese e mestiçagem”, recebendo o primeiro lugar no 20° Prêmio Nacional do Museu da Casa Brasileira de Design, em São Paulo, na categoria trabalhos escritos.

Também no meu retorno, instituí na minha instituição de origem, a Universidade do Estado de Minas Gerais – UEMG –, o “Centro de Estudos, Teoria, Pesquisa e Cultura em Design”, nos moldes praticados no Politécnico di Milano, onde frequentemente realizamos seminários temáticos internacionais e publicamos a coleção bilíngue, português-inglês, dos Cadernos de Estudos Avançados em Design.  Oportunamente, fui convidado a compor chapa, na condição de vice-reitor, nas eleições da minha Universidade para o mandato 2006-2010. Enfrentamos as referidas eleições e fomos eleitos por um colégio eleitoral composto por professores, servidores e estudantes presentes em sete cidades de Minas Gerais, onde se encontram as Unidades Acadêmicas que fazem da nossa instituição uma universidade multicampi.

O mesmo ocorreu, sequencialmente, quando fui eleito reitor com mais de 75% dos votos do colégio eleitoral para cumprir mandato para o período 2010-2014, função que ainda hoje exerço, sempre buscando dotar a minha instituição do engenho e arte inerentes a um designer-reitor ou um reitor-designer. Segundo os colegas professores daqui do Politécnico di Milano, devo ser o primeiro reitor designer do mundo e isso, devo dizer, poderá acontecer com qualquer um que aqui hoje completa seu percurso e que retorna para sua cidade ou país de origem. O futuro a Deus pertence, mas as nossas conquistas se devem a nós mesmos, que podemos, em maior ou menor grau, concebê-las ou projetá-las.

Vocês, como aconteceu comigo mesmo, começaram muito bem ajudando o próprio destino, pois oferecem a si próprios um diploma de doutorado obtido em uma grande instituição de reconhecimento dentro da comunidade de referencia internacional, mas, por outro lado, oferecem também ao destino um rico legado da cultura politécnica, tão vasta e fértil, presente nesta grande instituição mundial denominada Politecnico di Milano.

Para o destino, certamente será agora mais fácil fazer a parte que lhe cabe.

Muito obrigado.

 Milão 17 maio, 2013.

Dijon Moraes Júnior
Reitor – Uemg

Discurso proferido por ocasião da formatura dos doutorandos em engenharia, arquitetura e design do Politecnico di Milano.

 
La parola al Rettore - Maggio 2013

Cerimonia di Conferimento dei Diplomi di Dottorati di Ricerca in Ingegneria, Architettura e Design del Politecnico di Milano - 2013

All’inizio degli anni novanta del secolo scorso attuavo nell’ambito del design in Brasile dove mi dedicavo sia alla pratica, in ufficio proprio e consulenza alle aziende, sia a livello accademico presso la mia istituzione di origine, l’Università dello Stato di Minas Gerais – UEMG.

Come ogni professionista che va in cerca di una migliore qualificazione, sentivo la necessità di perfezionamento e di maggiore convivenza con i protagonisti della mia area di attuazione in design, sia nell’ambito pratico-applicativo, sia negli aspetti teorici, culturali e riflessivi di questa affascinante attività che comprende arte e tecnica, scienza e cultura, tecnologia e innovazione.

In quell’epoca, in Brasile, come sapete, gli Stati Uniti d’America erano e lo sono tutt’ora un forte riferimento per tutto ciò che questa nazione rappresenta nel campo della scienza, tecnologia, arte e nel percorso evolutivo della modernità e, quindi, seguendo il flusso degli altri colleghi, sarebbe stato il mio naturale destino.

La mia prima intenzione è stata, perciò, continuare i miei studi e la mia qualificazione professionale presso l’Institute of Design dell’Illinois Institute of Technology - IIT, conosciuto ancora oggi come la ‘New Bauhaus of America’.

Infatti, a mie proprie spese e costi, mi sono trasferito a Chicago dove ci sono rimasto per circa tre mesi preparandomi all’iscrizione al famoso IIT, che consisteva in: corso di lingua inglese, riconoscimento del territorio dove sarei vissuto e avvicinamento ai professori e ricerche lì realizzate. La metropoli di Chicago, con la sua bella architettura, ricchi musei e grandiose opere d’arte, molte di esse esposte in aree aperte nelle piazze e nei giardini, oltre ad essere la città dei blues, è anche conosciuta come la dream city, la città di molti sogni.

Al ritorno in Brasile per, appunto, svolgere gli ultimi preparativi per la stagione di qualificazione nell’IIT di Chicago con il master of science in design, ho ricevuto un inusitato invito dei direttori di una importante azienda locale per seguirli come consulente durante l’EIMU – Esposizione Internazionale di Mobili per Ufficio qui a Milano. Così, sono arrivato nella Milano del 1991, senza i grattacieli e i musei di arte moderna di Chicago e neanche lo stile e l’estetica dell’American way of life ma,curiosamente, qualcosa ha tirato la mia attenzione in quella città grigia che mi ha ricordato, riservate le dovute proporzioni, la città di Ouro Preto, piccolo paese situato nella mia regione di Minas Gerais in Brasile, dove si trova il maggior complesso del barocco brasiliano, patrimonio artistico e storico dell’umanità, un titolo concesso dall’UNESCO.

Milano si mostrava, così, all’improvviso, più familiare e prossima di Chicago. Mi sono anche accorto che in essa il design era presente con maestria non soltanto nei padiglioni dell’EIMU ma ugualmente nello stile delle macchine che trafficavano per le strade, nell’eleganza e garbo dei suoi abitanti, nella posa quasi arrogante dei carabinieri che sfilavano per la Galleria Vittorio Emanuele e in altri tanti minori particolari, come nel disegno della schiuma in formato di foglia o cuore che sovrapponeva un appetitoso e invitante cappuccino. Mi sono anche accorto, più avanti nel tempo, che l’Italia seduce oltre che con la storia, arte e cultura, anche con la sua cucina ricca e diversa.

In quell’epoca, sebbene fossi abbastanza giovane, intuivo che il design non era soltanto l’incontro tra arte e tecnica. La propria maniera di comporre le pietre o i mattoni in una costruzione è un gesto culturale, un modo di essere e di percepire il mondo, costituendosi nel proprio percorso storico dell’uomo e che, tutto ciò, può determinare un’azione progettuale. Sotto questo aspetto mi sono accorto che l’Italia aveva molto di più ad offrirmi che l’America e che Milano, particolarmente, portava nel suo humus ricco e fertile la cultura etrusca, celtica, romana, bizantina, longobarda e del regno d’Italia. Cioè: portava con sé un grande percorso storico nell’ambito dell’ambiente costruito e della cultura materiale.

Sapevo, ugualmente, che la cultura del progetto è un fatto moderno, è vero, ma che la sua radice passa per le botteghe artigianali del periodo medioevale e il suo raffinamento avveniva propriamente nel rinascimento. Sono stati due momenti della storia dell’umanità che hanno avuto l’Italia e Milano come protagonisti attraverso le sue ricche opere, capolavori nell’arte e nell’architettura e nuovi stili di vita presentati all’umanità. Non per caso, proprio Leonardo da Vinci è vissuto per più di diciassette anni a Milano, lasciando come eredità diverse sue opere monumentali nell’ambito dell’ingegneria, delle arti e dell’architettura.

Avevo, quindi, deciso che, quando dal mio ritorno in Brasile dopo l’EIMU, che il mio destino sarebbe cambiato e che non sarei più andato in America. Così l’ho fatto, iscrivendomi ad un corso intensivo di lingua italiana e iniziando i preparativi per studiare in Italia, più precisamente al Politecnico di Milano, il più antico ateneo milanese, in questa grande Università di carattere scientifico e tecnologico, ma anche di grande rilevanza intellettuale, tempio maggiore della cultura del progetto, culla di grandi ingegneri, architetti e designer. In questa Università che ha dato i primi passi come il Regio Istituto Tecnico Superiore dentro dell’Collegio Elvetico, nel 1608, fino alla sua istituzione come Regio Politecnico di Milano nel 1863 per diventare definitivamente il Politecnico di Milano nel XX secolo, il cui campus riceve il significativo nome di Leonardo Da Vinci.

Oggi, adempiendo al mio proposito, mi permetto di rivelare che il destino mi preparava un’ironica sorpresa: dopo aver vinto la barriera linguistica, superato gli esami di competenza dell’italiano parlato e scritto (allora esigenza da parte del locale Consolato d’Italia) e superato migliaia di candidati nel concorso per l’ottenimento della borsa di studio del governo brasiliano, sono arrivato a Milano nel 1992 per realizzare il mio master in Industrial e Visual Design nella Scuola Politecnica di Design di Milano pensando di arrivare al Politecnico di Milano. Dopo ventuno anni questo avvenimento può sembrare, agli occhi di tutti, un fatto insignificante ma, per me, non è stato così. Conclusi i due master e rientrato in Brasile, avevo già in mente il mio ritorno al percorso di Dottorato di Ricerca, PhD in Design, questa volta con l’indirizzo corretto del Politecnico di Milano.

Dopo essermi iscritto al “Bando di Concorso Pubblico per l’ammissione ai corsi di dottorato di ricerca pubblicato nella Gazzetta Ufficiale n. 55 del 17 luglio di 1998”, per gli esami di selezione, mi ricordo come se fosse oggi, che essi sono stati realizzati in parte nella Sede Leonardo Da Vinci, nella Città Studi, e in parte nella nuova Sede del Politecnico nel quartiere milanese di Bovisa. Eravamo, in epoca, complessivamente, 96 candidati per il XIV Ciclo del Dottorato e c’erano soltanto 04 posti per italiani e 02 posti per stranieri, con verifiche scritte e esami orali in italiano e inglese.

Ho cominciato, così, il mio percorso di Dottorato di Ricerca, PhD in Design nel 1999, essendo arrivato giustamente nel passagio del secolo e del millennio, periodo della transizione della vecchia Lira all’Euro e dell’unificazione monetaria europea del 2000. Il Politecnico per me ha rappresentato, sin dall’inizio, una vittoria per il fatto di essere stato classificato tra tanti candidati e aver potuto iniziare il mio tanto atteso dottorato.

Mi ricordo, all’inizio dei miei lavori qui al Politecnico di Milano, della mia soddisfazione nel visitare la Sede del Campus Leonardo da Vinci e vedere la seguente scrittura nell’antico palazzo dell’Istituto di Chimica Industriale: “qui ha lavorato l’Ingegnere Giulio Natta, vincitore del Premio Nobel di chimica nel 1963, sviluppando il polipropilene”. Ugualmente mi permetto citare, nell’ambito dell’Architettura, Marco Zanuso e nell’ambito del Design, Achille Castiglioni, tre protagonisti di poetiche proprie che hanno portato al mondo il nome del Politecnico di Milano.

Mi sentivo fiero, veramente privilegiato di sapere che, in qualche modo,  siamo stati colleghi di Ateneo attraverso la strada della cultura  politecnica. Natta, Zanuso e Castiglioni facevano parte anche della mia storia personale: ci siamo seduti negli stessi banchi del Politecnico, abbiamo frequentato le stesse biblioteche, abbiamo ottenuto i nostri titoli nella stessa istituzione, abbiamo coltivato sogni e speranze accademiche in comune.

Il passaggio nel Politecnico di Milano, oltre al diploma di dottorato, mi ha dato più conoscenza e cultura, mi ha reso più critico e riflessivo riguardo le questioni della cultura del progetto ma soprattutto ha elevato la mia  autostima. La città di Milano è anche stata palcoscenico dei due passaggi più marcanti nella mia vita personale: nella stessa settimana in cui mi hanno concesso il titolo di PhD in Design presso il Politecnico di Milano, nasceva all’Ospedale Mangiagalli, il mio primo figlio, frutto del mio amore con Clarice, brasiliana di origine italiana, più precisamente della famiglia Frigeri della provincia di Cremona, che mi ha accompagnato in questa sfida oltreoceano. Non per caso ho dato al mio primo figlio, nato in Italia, un nome caratteristico brasiliano: João Pedro e, al mio secondo figlio, nato in Brasile, un nome italiano, Matteo. Così, nessuno si sentirà superiore all’altro, poiché quello nato in Italia porta un nome brasiliano e quello nato in Brasile porta un nome italiano.

Il mio ritorno definitivo in Brasile è avvenuto alla fine del 2003 e ho iniziato le miei attività pratiche e accademiche nel 2004. La mia tesi di dottorato, la quale è stata qui seguita dai cari professori e oggi amici, Andrea Branzi e Ezio Manzini, come docenti relatori, è stata intitolata “Il Rapporto Locale-Globale: nuova sfida ed opportunità progettuale – il Brasile come Caso Locale” è stata da me adattata e pubblicata in Brasile dalla Casa Editrice Blucher di San Paolo, con il nome di “Analise del design brasiliano: tra mimese e meticciato”, essendo stato il primo in classifica del 20° Premio Nazionale del Museo della Casa Brasiliana di Design, a San Paolo, nella categoria dei lavori scritti.

Anche al mio ritorno ho impostato nella mia istituzione di origine, l’Università dello Stato di Minas Gerais l’UEMG, l’Unità di Studio, Teoria, Ricerca e Cultura in Design, nei parametri praticati nel Politecnico di Milano, dove frequentemente realizziamo seminari tematici internazionali e pubblichiamo la collezione bilingue, portoghese/inglese, dei Quaderni di Studi Avanzati in Design. Opportunamente sono stato invitato a formare l’elenco, nella condizione di vice-rettore, nelle elezioni della mia Università per il mandato 2006-2010. Abbiamo affrontato le riferite elezioni e siamo stati eletti a un collegio elettorale composto da professori, dipendenti e studenti presenti in sete città di Minas Gerais, dove si trovano le Unità Accademiche che fanno della nostra istituzione, un’università multicampi.

Lo stesso è successo, sequenzialmente, quando fu eletto rettore con più di 75% dei voti del collegio elettorale per adempiere al mandato del periodo 2010-2014, funzione che ancora oggi porto avanti, sempre cercando di dotare la mia istituzione dell’ingegno e arte inerenti a un designer-rettore o un rettore-designer. Secondo i colleghi professori del Politecnico di Milano, devo essere il primo rettore designer del mondo e questo, devo dire, potrà succedere con chiunque che qui oggi completa il suo percorso e che ritorna alla sua città o paese di origine. Il futuro a Dio appartiene ma le nostre conquiste si devono a noi stessi, che possiamo, in maggiore o minore grado, concepirle o progettarle.

Voi, come è successo a me, avete cominciato molto bene aiutando il vostro destino perché avete offerto a voi stessi un titolo di dottorato di ricerca ottenuto presso una grande istituzione di riconoscimento dentro la comunità di riferimento internazionale ma, dall’altra parte, avete anche offerto al destino un ricco làscito della cultura politecnica, così vasta e fertile, presente in questa grande istituzione mondiale denominata Politecnico di Milano.

Per il destino certamente sarà ora più facile fare la parte che gli spetta.

Grazie tante.

Milano, 17 maggio 2013.

Dijon Moraes Júnior
Rettore Uemg

Discorso proferito in occasione della consegna dei titoli ai dottorandi in ingegneria, design e architettura del Politecnico di Milano.

 
Palavra do Reitor - Março de 2013

Discurso Cerimonia Comenda da Paz Chico Xavier*

Boa Noite a todos os presentes,

Meus cumprimentos ao Governador Antônio Anastasia, ao prefeito de Uberaba Paulo Piau, idealizador e autor do Projeto de Lei que criou a Comenda da Paz Chico Xavier, ao Dr. Joaquim Cabral Netto, Presidente do Conselho da Comenda, aos demais componentes da mesa e colegas agraciados com a Comenda da Paz Chico Xavier.

Hoje é um dia muito especial para mim e acredito que para todos os demais presentes ora agraciados com a Medalha da Paz Chico Xavier, distinção singular dentre as comendas que trazem a chancela do Governo de Minas Gerais.

A Comenda da Paz Chico Xavier, como consta no livro homônimo do Dr. Cabral, “Tem como fundamento uma visão abrangente: contribuições de realce em prol da compreensão e da tolerância social, política e religiosa entre os homens; da fraternidade entre as pessoas, seus grupos sociais ou Nações. E, nesse sentido, ela abrange toda conduta que se volte para esse objetivo nos campos do pacifismo, literário, artístico, cultural, na realização de pesquisas cientificas e tecnológicas; no combate à fome e à miséria; no fortalecimento ou desenvolvimento espiritual da humanidade, em linhas gerais, por todas as ações que busquem promover a dignidade humana.”

Parece-me oportuno assinalar que esta comenda alia dois elementos importantes: o próprio tema que a sustenta e a legitima que é a paz, talvez um dos maiores desejos que permeia e sempre permeou a história da humanidade, e a figura do nosso protagonista maior, Chico Xavier, que lhe empresta o nome.

A paz pode ser vista sob diversos prismas, desde a paz interior, também denominada Paz de Espírito, que é aquela que trazemos intrinsecamente conosco, que nos distingue como seres humanos em diferentes níveis evolutivos, emocional e espiritualmente falando.

A paz Interior é bem que não se adquire de ninguém a não ser de nós mesmos, muito menos se consegue em tratados, conquistas e negociações no âmbito político. Ao contrário, o nosso percurso histórico sempre nos revelou monarcas, imperadores, grandes generais e homens públicos que não tiveram Paz Interior, não obstante serem detentores de fama, riqueza e poder.

Curiosamente, a Paz Interior não escolhe rico ou pobre, negro ou branco, culto ou ignorante, civilizado ou bárbaro, jovem ou ancião, douto ou analfabeto.  O próprio Chico Xavier, em uma de suas frases emblemáticas, certa vez disse: “conheço gente tão pobre, tão pobre, que só possui dinheiro”. A Paz Interior também não escolhe católico ou espírita, evangélico ou ortodoxo, ateu, budista ou ainda os praticantes das religiões afro, com suas diferentes nuances e matizes. 

A única barreira e limite para a Paz Interior somos nós mesmos, com nossos dramas, perspectivas e ambições de vida e valores despropositados, com nossas fraquezas e limitações, com perguntas para as quais muitas vezes não encontramos respostas, com nossos sonhos por vezes não realizados, com o nosso caminho muitas vezes incerto, a gerar ansiedade, estresse e tristeza a que o nosso grande João Guimarães Rosa traduziu em uma única expressão “desassossego”.

“Quanto mais ando à procura de gente mais me encontro sozinho no vago... E eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia... Mas talvez o que sentia, a Solidão (...).

O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Chego agora à outra face do prisma, que é o importante fato desta comenda trazer o nome do Chico Xavier. Esse grande pacifista e humanista brasileiro, que carregava consigo o nível mais elevado da Paz Interior que á a bondade extrema. Chico Xavier se realizou dedicando-se ao próximo e colocando a sua missão acima da sua própria vida pessoal. Sua tristeza foi a de não poder atender a todos de tantos e quantos cantos acorriam em busca de seu conforto, frustrando-o em sua ambição de ajudar sempre e cada vez mais ao próximo.

Chico Xavier encontrou respostas para muitas perguntas, iluminou muitos caminhos escuros, cuidou de ambições e ilusões perdidas de vários irmãos e irmãs de diferentes crenças e credos, ajudando, por fim, a trazer de volta o sossego e a Paz Interior a milhares de brasileiros e estrangeiros que o procuravam.

Ainda como presenciamos no manuscrito do Dr. Cabral, “Chico Xavier é uma espécie de líder desvalido dos desvalidos, dos carentes, dos sofredores, dos não onipotentes, dos despretensiosos, dos modestos, dos dispostos a perder para ganhar (...). Francisco Cândido Xavier emerge com força do perdão, da tolerância, da fraternidade real, da fraqueza forte da fé, da humildade e do despojamento erigidos como regra de vida, como trabalho efetivo de caridade; da não violência em qualquer de suas manifestações, mesmo as disfarçadas em poder, glória, sincretismo, hermetismo, iniciação, poder temporal ou promessa de Vida Eterna (...). A todos que o procuravam com suas angústias, sofrimentos, necessidades e dores, ele levava, algumas vezes, mais do que os socorros materiais: ele enxugava lágrimas, renovava esperanças e iluminava consciências.”

Procurei fazer dessas passagens descritas um húmus rico e fértil para poder trazer à luz o tema da Paz Coletiva, a mais desejada entre os povos de ontem e de hoje, a mais difícil justamente por envolver seres humanos com suas diferenças, crenças e idiossincrasias próprias. A mais difícil por envolver regiões, territórios, estados e nações com ambições, pretensões e estilos de vida distintos. 

A Paz Coletiva exige esforço e sacrifício de muitos, exige tempo e dedicação. Em uníssono.  A busca da Paz Coletiva pode ocorrer por motivo de guerras, invasões e de domínio sobre terceiros, pelo efeito de catástrofes, acidentes naturais e grandes comoções sociais.  Mas sempre, nessas e em outras situações, como um bem social de valor único.

Feizi Milani em seu livro Cultura de Paz assim disserta: “Pensar em uma cultura de paz exige a necessidade de transformações, indispensáveis para que a paz seja o principio governante de todas as relações humanas e sociais que vão desde a dimensão de valores, atitudes e estilos de vida, até a estrutura econômica e jurídica e a participação cidadã”.

A Paz Coletiva traz equilíbrio, harmonia e desenvolvimento. Foi  objeto de desejo de tribos, reinos e impérios do passado e hoje o é de países e de continentes. A União Européia acaba de receber o Premio Nobel da Paz, a ela outorgado em 2012 em reconhecimento à sua busca pela harmonia na convivência, pela ajuda mútua e pela luta coletiva por superação de obstáculos comuns. O comitê justificou o prêmio citando o papel que o bloco europeu exerce, há longo tempo, para promover a união do continente europeu.

Antes de concluir, não poderia deixar de me referir aos demais agraciados, cada um com suas crenças, cada um com suas histórias e percursos pessoais, cada um com suas poéticas próprias, cada um com suas ocupações e “fazimentos” distintos, mas tenho certeza que todos promovendo a paz dentro do seu âmbito de ação seja no campo das artes, da educação, da medicina, do exército, dos direitos humanos, da militância política ou da religião.

Registro o agradecimento, meu e de meus companheiros, ao Governo de Minas, ao egrégio Conselho da Medalha e à cidade de Uberaba por incentivarem a paz através desta comenda que homenageia Chico Xavier e que, cada vez mais, solidifica, entre nós mineiros, um tema tão caro aos homens de bem de ontem, de hoje e de sempre.

Escolho para finalizar esta minha fala alguns versos da compositora e cantora Dolores Duran, tão emblemáticos da Paz Interior que invade os corações humanos à vista das coisas simples e singelas da vida:
“Quero a primeira estrela que vier
Quero paz de criança dormindo
Quero o abandono de flores se abrindo
Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando”.

Muita paz a todos e muito obrigado. 

 

Uberaba, em 08 de março de 2013

Dijon Moraes Júnior
Reitor – Uemg

*Orador Oficial da Cerimônia da Comenda da Paz Chico Xavier 2013.

 

 
Palavra do Reitor - Março de 2013

Educação e formação humana: desafios do tempo presente percurso histórico e dados da pós-graduação na UEMG*

Criada pela assembléia constituinte de 1989, a partir da absorção de institutos e fundações de ensino superior presentes em Minas Gerais, entre eles: Faculdade de Educação do Instituto de Educação de Minas Gerais - IEMG; Fundação Guignard; Fundação Mineira de Arte – FUMA (ESAP e ESMU) e de mais 06 Fundações presentes no interior que ainda não viram concretizadas as suas absorções sendo elas: Campanha, Carangola, Divinópolis, Diamantina, Passos e Ituiutaba.

Com vocação multicampi, hoje se encontra presente em 07 cidades do Estado de Minas Gerais, a saber: Belo Horizonte, João Monlevade, Barbacena, Ubá, Leopoldina, Poços de Caldas e Frutal;

Tendo cerca de sete mil alunos e novecentos professores a Uemg apresenta na atualidade o seguinte retrato:

Dados Uemg 2013

  • 32 graduações;
  • 23 pós-graduações em nível especialização lato sensu;
  • 02 mestrados (01 em educação e 01 em design);
  • 01 mestrado em rede parceria Uemg/Ufop/Cetec;
  • 01 doutorado em rede parceria Uemg/Ufop/Cetec.

Dilema Uemg

As unidades tradicionais como a FAE (1929), Escola de Arte Guignard (1943), Escola de Design (1955) e Escola de Música (1954), apesar de terem um reconhecido percurso histórico, não trazem na origem a tradição das universidades com seus programas de pós-graduação já implementados e consolidados.

Por outro lado as novas Faculdades foram, na sua maioria, instituídas a partir do ano 2.000 como a FaEnge (2004), FAPP (2006) e o Campus de Leopoldina (2010). Isto é, os novos campi e os novos institutos não tiveram ainda o tempo suficiente de maturação e consolidação para instituir seus próprios programas em nível stricto sensu.

Já havia na Uemg, algumas iniciativas isoladas, principalmente na Faculdade de Educação e na Escola de Design, que apontavam na direção de instituição de Programas de Pós-Graduação em nível stricto sensu, vale dizer mestrado, mas, que não eram articulados com as demais Faculdades existentes na universidade em formato coerente com objetivo institucional.

Curiosamente, e por isso mesmo como já exposto, que até o ano de 2008 não existia na Uemg a Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação que vinha como apêndice da Pró-reitoria de Pesquisa e Extensão.

Inicio da Pós-Graduação como objetivo institucional na Uemg

Em 2007 vem assinada uma portaria pela reitora profa. Janete Gomes Barreto Paiva criando, no âmbito da Universidade, o Comitê Central de Pesquisa e Pós-Graduação presidida pelo Vice-reitor que na época era o atual Reitor, que tinha entre as atribuições assessorar os Comitês Locais de Pós-Graduação, também instituídos naquele mesmo ano na Faculdade de Educação, Escola de Design, Escola de Arte Guignard e na Escola de Música.

Em 2009 vem finalmente instituída a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, nos moldes que hoje a conhecemos, que teve juntamente com o Comitê Central a função de dar suporte e organizar as propostas de APCNs em desenvolvimento no âmbito da universidade.

Foram contratados pela reitoria consultores ad hoc para cada projeto de mestrado em curso, entenda-se Educação e Design, e consultores externos para acompanhamento das ações do Comitê Central e da nova Pró-reitoria recém instituída visando o cumprimento das normas e prazos para aprovação dos APCNs junto a CAPES.

Era ainda função do Comitê Central de Pós-Graduação, instituído em 2007, determinar os prazos e averiguar os resultados dos Comitês Locais no tocante à instituição dos programas de Pós-Graduação Stricto Sensu, bem como acompanhar os seus credenciamentos junto aos órgãos competentes e as conseqüentes renovações.  

 

Estado da Arte

A UEMG, devido à sua origem, e à forma pela qual seu corpo docente foi criado, teve sérios problemas com relação à titulação do seu corpo docente.
Em 2008, a instituição tinha um total de 704 professores, dos quais 477 eram permanentes. Desses, 74 (15,5%) tinham apenas graduação, 190 (39,8%) tinham apenas a especialização, 191 (40%) o Mestrado e apenas 22 (4,6%) tinham o Doutorado.
Se considerados conjuntamente os professores efetivos e os designados, em um corpo docente de 704 professores, a UEMG tinha 105 graduados (14,9%), 282 especialistas (14,9%), 268 Mestres (38,%) e apenas 49 doutores (7%). Mestres e doutores, em conjunto, constituem em 2008 apenas 45,0% do quadro docente total da UEMG. Este percentual cumpria minimamente o percentual de 33,33% exigido na LDB, mas não atendia às necessidades de uma instituição Universitária no que diz respeito à produção esperada ou à titulação necessária para assegurar a criação de cursos de pós-graduação stricto sensu.

Para superar essa situação, a Instituição teria que adotar diversas estratégias, que melhorassem rapidamente seu perfil de titulação, e que incluíssem:

  • implantar um programa de qualificação docente ambicioso na UEMG;
  • criar programas de pós-graduação em que novos docentes também fossem parte da clientela;
  • atrair novos doutores, mediante concurso;
  • desenvolver iniciativas junto ao governo visando melhorar a carreira, de modo a garantir a permanência desses docentes;
  • contratar via designações professores titulados com mestrado ou doutorado.

Com relação à criação de programas de stricto sensu, Todo o esforço iniciado em 2007 nos revelou o que já intuíamos, as propostas de programas apresentados a CAPES inicialmente tinham fragilidades, apontadas pela CAPES e por nós conhecidas, como: falta de clareza na definição das linhas de pesquisa, corpo docente com titulação no limite das exigências CAPES e, produção cientifica ainda incipiente para legitimar os referidos programas.

As propostas foram adequadas e reformuladas, e os mestrados a Faculdade de Educação e o da Escola de Design, aprovadas pelo Comitê Científico da CAPES em 2008, e cuja criação foi objeto de aprovação em 6/05/2009 pelo CNE, tiveram início no primeiro e no segundo semestres de 2009.

Com relação à titulação do corpo docente, um programa de qualificação docente foi aprovado pelo CONUN, em dezembro de 2008, visando qualificar como mestres 60% dos professores efetivos que não tivessem essa qualificação, e como doutores, 30% dos mestres existentes à ocasião.

 

Compromisso institucional

Diante do exposto, a partir de 2010, a gestão atual inseriu a Pó-Graduação Stricto Sensu entre as prioridades do Plano de Gestão 2010-2014 e institui metas buscando alterar o Cenário e o Estado da Arte existentes.

Foram solicitadas ao Governo de Minas, em caráter emergencial, 22 vagas para professores doutores para implementação de programas de stricto sensu, sendo assim divididas: 05 vagas para a Escola Guignard, 04 vagas para a Escola de Música, 03 vagas para reforçar o Mestrado em Educação; 01 vaga para reforçar o Mestrado em Design e 08 vagas para a ampliação do número de professores doutores para criação de programa de Mestrado em Meio Ambiente (ênfase em recursos hídricos) para a Unidade da Uemg no Campus de Frutal. Todos os concursos já foram realizados ou estão em processo de conclusão ainda neste mês de março. Aqueles que não forem providos serão colocados novamente em concurso.

Atuamos em outra frente que se demonstrava bastante frágil na nossa instituição que era o Plano de Carreira existente que não atraia e muito menos poderia reter os professores doutores necessários para nossos programas de Pós-Graduação Stricto Sensu.

Como resultado de negociações junto ao Governo do Estado, conseguimos melhora significativa na remuneração dos docentes. Em 2010, o salário de um professor doutor com DE, e com um ano de atuação na instituição que era de R$ 6.297,47. Em 2012, passou a ser de R$9.153,84, para a mesma função e regime de trabalho. Elevando ainda o nível de ingresso na carreira para professor doutor do Nível V para o Nível VI, sendo que o último nível na carreira existente na Uemg é o Nível VII.

Além disso, as promoções de docentes por qualificação (titulação), que às vezes demandavam cinco anos, passaram a ser imediatas sem interstícios.

Este esforço tem nos demonstrado acertos pois, mesmo que ainda distante do ideal, já apontamos para resultados positivos. Migramos de um número de 87 doutores em 2010 para 130 doutores atuais em 2012. Outra realidade positiva, é que temos, na atualidade, 112 professores em percurso de doutoramento no Brasil e exterior, que em breve totalizará 242 professores doutores.

Vale citar, que hoje na Uemg, os professores que se afastam para qualificação em nível de mestrado, doutorado e pós-doc, não têm redução do seu ganho salarial (exceção do pó de giz por ser exigência em Lei do Governo), como ocorria anteriormente, além de contar com bolsas de programas induzidos para as universidades estaduais mineiras denominado de Programa Mineiro de Capacitação Docente – PMCD, que já teve duas edições, e do Plano de Capacitação de Recursos Humanos - PCRH, concedido anualmente pela Fapemig.

A Uemg conta hoje com cerca de 146 convênios internacionais onde consta o aceite de seus professores e alunos para percurso de mestrado e doutorado no exterior e, é proponente junto à Fapemig da instituição da Rede Mineira de Cooperação em Pós-Graduação, onde as Universidades Públicas Federais, com programas já consolidados em Minas Gerais, irão atuar como parceiras, seja fornecendo vagas em seus programas de doutorados, seja oferecendo programas de pós-graduação em cooperação, em busca de qualificar os professores das universidades ainda emergentes, estaduais e federais, instaladas em território mineiro.

Outra possibilidade de parceria na Rede Mineira de Cooperação em Pós-Graduação de Minas Gerais, será a realização de Minters e Dinters em busca da já citada qualificação docente, além da promoção de pesquisas em parcerias.

Vale ressaltar, ainda, o convênio entre o Politécnico di Torino na Itália e a Uemg, em nível Pós-Graduação, onde professores da Escola de Design, Faculdade de Engenharia de João Monlevade e Escola de Arte Guignard podem se candidatar a três vagas anuais para realizarem o percurso de Doutorado em Design naquele instituto, com bolsas asseguradas pela Fapemig. Chamo a atenção, para o fato, que foi a primeira vez que a Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais concedeu bolsas de estudo para doutorado no exterior.

 

O futuro da Pós-Graduação na Uemg

Como sabemos, de acordo com a resolução CNE de 05 de outubro de 2010, as atuais universidades federais que não atendem ao requisito sobre a oferta de cursos de mestrado e doutorado poderão ser recredenciadas, em caráter excepcional, desde que ofereçam, pelo menos, 03 cursos de mestrado e 01 de doutorado até 2013. Para essas universidades é exigido chegar em 2016 com 04 mestrados e 02 doutorados. Exigências semelhantes deverão ser estendidas às Universidades do Estado, conforme já sinalizo o parecer do CEE em nosso processo de recredenciamento.

De igual forma, o percentual de 1/3 de mestres e doutores poderá ser ampliado na reforma Universitária, podendo passar para o percentual de 50%, sendo mantida a exigência de 1/3 do corpo docente em regime de tempo integral.

Em busca de atender os desafios postos pelo CNE/LDB/CEE/CAPES e demais órgão que regem o ensino superior em Minas e no Brasil e, em particular os que regem a Pós-Graduação Stricto Sensu, a Uemg no biênio 2010-2012 apresenta os seguintes dados:

  • 427 projetos de pesquisa realizados;

504 publicações de professores das unidades acadêmicas da capital e interior;
77,41% de atualização do seu acervo bibliográfico;

  • Prioridade na concessão, total ou parcial, de auxilio à participação em eventos (congressos, seminários, fóruns e simpósios) aos professores pertencentes aos programas de pós-graduação stricto sensu, buscando ampliar o acesso aos órgãos de fomento, e complementação com recursos da própria universidade;
  • Prioridade na concessão de Dedicação Exclusiva aos membros dos programas de pós-graduação stricto sensu;
  • Autorização pelo Governo de Minas de 590 vagas de concurso para as unidades da Uemg do interior e na capital, onde se fizer necessário, podendo dividir este número em cota entre especialistas, mestres e doutores conforme a realidade regional e a estratégia da universidade;
  • Reapresentação à CAPES de propostas de mestrado nas escolas Guignard, ESMU e Campus Frutal. Obtenção de conceito no mínimo 4 nos mestrados de Educação e Design e, subsequentemente, encaminhamento à CAPES de proposta de doutorado nessas duas áreas;
  • Fortalecimento da interação entre Uemg/Ufop/Cetec no Mestrado e Doutorado em Engenharia de Materiais junto a REDEMAT.

Por fim, sabemos que nossos maiores desafios são internos e as soluções dependem de nós mesmos, pois devemos superar barreiras e empecilhos, sejam eles de cunho técnico, histórico ou situacional à luz da realidade de termos de construir uma universidade publica e de qualidade para os cidadãos e cidadãs de Minas e do Brasil.

Muito Obrigado.

Belo Horizonte, em 05 março 2013

 

Dijon Moraes Júnior
Reitor

 

*Texto apresentado no Seminário da Pós-graduação Stricto Sensu da FAE/CBH/UEMG com o tema: Educação e formação humana: Desafios do tempo presente.

Uma promoção do Programa de Pós-graduação em Educação – PPGE da FAE/UEMG, sob coordenação das Profa. Dra. Lana Mara de Castro Siman e Profa. Dra. Santuza Amorim da Silva

 

 

 

Palavra do Reitor - Setembro de 2012

Homenagem a Milton Nascimento
Por ocasião da concessão do titulo de Doutor Honoris Causa pela Uemg em 10/09/2012

 

Boa tarde a todos,
Exmº. Senhor Governador Antonio Anastasia,

Senhoras e senhores, autoridades do Governo de Minas presentes, membros da mesa, do Conselho Universitário da Uemg, familiares, amigos e admiradores do nosso artista homenageado Milton Nascimento.

Hoje é um dia muito especial para a Universidade do Estado de Minas Gerais pois, por decisão unânime do Conselho Universitário, realizamos a outorga do titulo de Doutor Honoris Causa ao artista Milton Nascimento. Devo recordar que somente três pessoas receberam este titulo pela Uemg: o antropólogo Darcy Ribeiro, o professor Aluisio Pimenta e, agora, o grande artista Milton Nascimento.

Falar sobre Milton Nascimento é falar de uma história de superação, de engajamento na causa democrática, pela defesa dos direitos humanos, a favor dos menos favorecidos, dos indígenas e das questões ecológicas. Somente isto já legitimaria o titulo hoje outorgado pela nossa Universidade a este protagonista maior da arte e da cultura brasileira, que reina no universo artístico através da peculiaridade da sua voz e da beleza das suas canções.

Durante o regime de exceção no Brasil, Milton foi perseguido pela ditadura militar e passou a fazer apresentações nos circuitos universitários em shows promovidos pelos diretórios acadêmicos de todo o país. Esta sua ação o aproximou da academia, bem a seu jeito, pelo viés da luta pela liberdade de expressão, emprestando sua voz aos amordaçados e oprimidos. Quem não se recorda da sua antológica interpretação ao cantar “pai afasta de mim este cálice...” ou em passagem mais recente da história do Brasil, ao participar da luta pelas “Diretas Já” com a canção “O Menestrel das Alagoas” ou na memorável “Coração de Estudante”, orações sonoras de esperança por um novo Brasil.

Parece que por obra do destino, Milton Nascimento traz na junção das iniciais do seu primeiro e segundo nomes, o próprio nome do nosso estado “Minas” que é um símbolo de liberdade para o Brasil. De fato, é curioso notar que seu primeiro disco compacto gravado nos anos sessenta com o “Conjunto Holiday” chamava-se justamente “Barulho de Trem”, já prenunciando o que veríamos pela frente e que marcaria profundamente a sua obra, isto é: o seu amor por Minas Gerais. Amor esse demonstrado publicamente através dos títulos dos discos “Minas” de 1975 e “Gerais” de 1976.

Você, Milton, cantou as “Minas” históricas e barrocas e, de igual forma, cantou também os nossos sertões e as nossas “Gerais”. Você cantou Ouro Preto, Sabará, Mariana, Tiradentes e São João Del Rey, mas cantou também Diamantina, Biribiri, Sentinela, Milho Verde, Itamarandiba, Turmalina e Pedra Azul.

Permito-me uma pequena divagação para relatar um fato pessoal: foi quando pela primeira vez tomei conhecimento do universo de Milton Nascimento. Meu irmão, o músico Paulinho Pedra Azul que tinha ido iniciar sua carreira artística em São Paulo, retornando de férias em 1976 trouxe na bagagem uma caixa com vários LPs e me deixou escolher três discos:  escolhi “Araçá Azul” de Caetano Veloso, “Os Saltimbancos” de Chico Buarque e o disco “Milton”, por você gravado em 1976 pela EMI-Odeon.

Você é de Três Pontas e, talvez por outra feliz coincidência, são três as pontas que direcionam uma universidade: o ensino, a pesquisa e a extensão.  Como podemos comprovar, você atuou em todas elas ao longo de sua brilhante carreira artística.

O ensino você praticou através da sua “Escola de Minas” que funcionou por vários anos aqui mesmo em Belo Horizonte e, na atualidade, através da Escola Bituca em Barbacena que merecidamente leva o seu nome. Através da pesquisa você criou a “Missa dos Quilombos” em homenagem a Zumbi dos Palmares. Também pelo viés da pesquisa, compôs e interpretou “Maria Maria” que lançou, para o mundo, o Grupo Corpo e na sequência, compôs para o mesmo grupo o espetáculo “O Ultimo Trem”, ambas imbuídas do espírito de mineiridade. Ainda no âmbito da pesquisa, documentou em disco, vídeo e DVD a sua bela obra “Tambores de Minas”.

A extensão universitária, Milton, é o encontro da universidade com a sociedade, da academia com o cidadão comum, é a universidade indo até onde o povo está. Além dos “Bailes da Vida”, em diversas cidades destas e de outras Gerais, você levou para os palcos os corais infantis “Curumins” de Belo Horizonte e os “Rouxinóis” de Divinópolis. Da mesma forma, com o espetáculo “Ser Minas tão Gerais”, revelou para o grande público o talento do “Grupo Ponto de Partida” de Barbacena e os “Meninos de Araçuaí” e, mais recentemente, lançou o disco "E a gente Sonhando" pela sua própria gravadora “Nascimento Music”, com a participação de jovens músicos de Três Pontas. Como se comprova, você pratica magistralmente a extensão.

Somente uma universidade, com seus milhares de alunos e professores, poderia fazer tanto em tão pouco tempo, mas você, Milton, na sua universalidade e grandeza também o fez, e por isso o nosso reconhecimento.

Assim como as Minas são muitas, Milton Nascimento é de “mil tons”, é múltiplo e plural. Por ser um artista do mundo e pelo conjunto da sua obra foi nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes das Ciências e Letras da França, pela sua afinidade com a cultura negra em Minas através do congado, do catopé e de outras matrizes africanas, foi coroado Rei Congo da cidade de Divinópolis. Recebeu a chave da cidade de Nova York, foi contemplado com quatro Prêmios Grammy nos Estados Unidos, participa da Aliança dos Povos da Floresta, da Anistia Internacional e do Greenpeace.

Mas foi mesmo aqui em Belo Horizonte, mais precisamente na década de setenta, no Bairro de Santa Tereza, que você e seus caros amigos e parceiros, muitos deles aqui presentes, fizeram, em uma simples esquina, um dos maiores movimentos musicais já realizados no Brasil. O seu clube, Milton, encantou diversas esquinas do planeta e o que nós da Universidade do Estado de Minas Gerais mais admiramos é o fato de você ter se tornado cidadão do mundo sem nunca e jamais ter deixado de ser Minas Gerais.

Muito obrigado,

Dijon Moraes Júnior
Reitor

 

 

 


Palavra do Reitor - Julho de 2012
Uma nova Escola de Design*

Foi com um misto de satisfação e agradecimento que recebemos a proposta do Governo de Minas para a implantação de uma das unidades da Escola de Design da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) no histórico edifício-sede do IPSEMG localizado na Praça da Liberdade.

Segunda instituição mais antiga de ensino superior deste segmento no Brasil, a nossa Escola de Design foi instituída em 1954 como parte integrante da Universidade Mineira de Arte (UMA), posteriormente denominada Fundação Mineira de Arte (FUMA), até a sua absorção definitiva pela UEMG em 1989.

Sua trajetória passa pela estratégia pioneira local de dar suporte ao então incipiente processo de industrialização brasileiro, como parte do projeto de modernização do país e do desafio de alavancá-lo de sua posição de emergente para a de um país desenvolvido. Isto porque, dentro da lógica desenvolvimentista predominante após a segunda guerra mundial e em especial nos anos 50, modernizar-se se tornara sinônimo de industrializar-se.

Assim, aqueles que idealizaram e concretizaram a Escola de Design vêem comprovada hoje a pertinência daquela perspectiva visionária e a oportunidade de sua ação.

Vale a pena recordar que na fachada da Escola de Design, quando ainda localizada na região da Gameleira, onde estudei e hoje se encontra o Expominas, tinha estrategicamente escrito “FUMA – Tecnologia e Criatividade”, em alusão aos conceitos basilares do design. Uma referência, sem dúvida, à proposta implícita em sua concepção, de unir “ciência e técnica”, “forma e função”, “estética e arte”.

Por isso mesmo, essa fascinante área transversal do conhecimento compõe a denominada “cultura material”, justamente por ser o design capaz de traduzir -- pela via de produtos, objetos e artefatos -- a nossa identidade, o nosso jeito de ser e de pensar, ou seja, a nossa própria cultura.

Vários foram os protagonistas mineiros que serviram ao design brasileiro e que se formaram nessa nossa Escola de Design e que vieram a se destacar posteriormente em grandes empresas, escritórios, agências, indústrias, universidades e centros de pesquisa. Muitos deles vencedores de importantes premiações nacionais e internacionais.

Em seus cursos orientados para design de produtos, design gráfico, design de ambientes, artes visuais e design de moda (este ainda a ser implantado), a Escola de Design da UEMG congrega, hoje, cerca de 1.300 alunos (divididos em três turnos) e 168 professores, entre especialistas, mestres e doutores. Trata-se, em números absolutos, da maior escola do gênero no Brasil e que está também entre as primeiras em qualidade nos níveis nacional e internacional.

Esta expertise, acumulada ao longo de mais de meio século de atividade, justifica a implantação de uma das unidades da Escola de Design da UEMG no Circuito Cultural da Praça da Liberdade, reconhecendo que as ações empreendidas pela instituição, através de seus cursos regulares e de educação continuada, completará a nobre proposta do Governo de Minas de compor um espaço cultural público, gratuito e de qualidade.

Desta forma, a nossa Escola de Design recebe do Governo de Minas o reconhecimento da sua importância para a competitividade da indústria mineira, para a soberania do parque produtivo brasileiro, para a identidade da marca “Brasil”. Mais ainda: a Escola, com seu engenho e arte, recebe a missão de fechar o círculo de beleza, de criatividade e de interatividade propostos para os habitantes desta e de outras terras.

Nossa idéia é instalar uma “Escola Aberta” na Praça da Liberdade, que proporcionará a democratização do design através exposições, palestras, oficinas, laboratórios e workshops com temas sempre atuais que serão destinados à informação e atualização dos cidadãos que freqüentam o Circuito Cultural. Uma escola atravessável e transversal como a era contemporânea.

Não menos importante será o diálogo com os demais equipamentos ali já existentes, que nos ajudará a dar um passo definitivo para consolidar de vez a Escola de Design da UEMG como a maior e melhor do Brasil neste segmento

*Publicado no Caderno Opinião do Jornal Estado de Minas em 24 de julho de 2012.

Dijon Moraes Júnior
Reitor

 

 

 

Palavra do Reitor - Maio de 2012
País Multicultural: ensino multi e plural*

É instigante visitar museus dedicados à arte e à nossa civilização. A experiência nos faz perceber que as obras expostas refletem não somente a estética em si, mas, trazem consigo o comportamento, princípios éticos, ritos, mitos, crenças e costumes dos povos.

O mundo árabe, por exemplo, encontrou maior dificuldade que os países ocidentais na passagem da cultura artesanal para a cultura industrial. O acervo do Museu Topkapi, em Istambul, traz um conjunto de detalhes e informações presentes nas obras de arte e nos artefatos que vão muito além do mundo visível e material islâmico. Diferentemente, em museus russos pode-se reconhecer a produção artística e cultural desde antes da Revolução Comunista até a chegada da Arte Concreta e do Suprematismo como se comprova visitando o Hermitage.

A Alemanha, do Hamburger Bahnhof Museum, exibe uma linguagem minimalista de fácil tradução e aplicabilidade estético-formal tanto na arquitetura quanto na arte e no design. A Itália abarca desde as primeiras obras de Giotto, até a marcante experiência do Renascimento, com obras de gênios como Leonardo, Rafael e Michelangelo.

Louvre, d’Orsay, Museu Etnográfico do Homem de Paris, e National Galery, Tate Britain e na Tate Modern, na Inglaterra, nos dão norte sobre o processo civilizatório. E na Espanha fica evidente a importância das artes na península ibérica, em museus como o do Prado e o Reina Sofia, em Madri, a Fundação Joan Miró e o Museu Pablo Picasso, em Barcelona, além do surpreendente Guggenheim de Bilbao, no interior do país.

Agora imaginem essas diversas culturas se encontrando em um mesmo território e trazendo consigo diferentes formas de comportamentos, ideias, éticas e estéticas entre si?

Podemos tecer a hipótese de que foi justamente isso o que ocorreu com o Brasil durante seu processo de formação como Estado Nação. Ingredientes multiculturais, multirreligiosos e multiétnicos conformam um verdadeiro “caldeirão cultural” em constante estado de ebulição, um sincretismo que se pode presenciar na base da cultura brasileira. Um bom exemplo disso é o estado de Minas Gerais. Como escreveu Guimarães Rosa, “Minas são muitas”, como muitas são suas características, influenciadas por imigrantes portugueses, africanos, espanhóis e italianos.

Outra realidade particularmente brasileira é a fusão entre religiões e crenças, integrando de igual forma suas éticas e estéticas próprias, sugerindo por fim novos padrões de comportamentos. Veja-se o carnaval de Salvador, que vai muito além do aspecto religioso ao promover uma nova relação entre homem e fé, entre sacro e profano. Um caso de sobreposição de aspectos culturais, e novas formas de interações entre africanos, índios, portugueses e turcos.

Outra realidade se tem no sul do Brasil, onde se misturaram alemães, italianos e judeus, que trouxeram o gosto pela indústria, pelo empreendedorismo e pelo labor nas vindimas e laticínios. Mais tarde, se juntaram a eles japoneses e poloneses, com suas culturas e traços peculiares, saberes e sabores distintos.

Italianos, espanhóis, árabes, portugueses, judeus, japoneses e povos latinos fizeram de São Paulo uma das maiores metrópoles do mundo, não somente em grandeza, mas também em diversidade. Não por acaso ali surgiu o Movimento Antropofágico e a Semana de Arte Moderna. A intenção de seus expoentes era digerir a cultura europeia e convertê-la em algo brasileiro.

Os povos do Norte e Nordeste fundiram aspectos místicos e folclóricos com grandes influências da cultura indígena, mas também dos descendentes de mouros e africanos, portugueses e holandeses, gerando entre si novas matrizes como cafuzos e mamelucos.

Podemos intuir, portanto, que a grande contribuição do Brasil para o mundo não se encontra presente através de obras estáticas em museus. Encontra-se pelas ruas e cidades do nosso país, estampada no traço das pessoas que aqui nasceram, promovendo para o mundo uma estética da convergência e da tolerância, da solidariedade e da paz entre povos distintos.

Neste contexto, o ensino e as Universidades brasileiras também devem ser multi e plural.

*Publicado no Caderno Opinião do Jornal Estado de Minas em 03 de maio de 2012.

Dijon Moraes Júnior
Reitor

 


 

Palavra do Reitor - Fevereiro de 2012
Campus da Uemg*

A Universidade do Estado de Minas Gerais – Uemg foi criada pela Assembléia Constituinte do Estado em 1989, a partir da reunião de Instituições de Ensino Superior presentes em Belo Horizonte. Entre elas a Escola de Música e a Escola de Design da Fundação Mineira de Arte – FUMA; o curso de pedagogia do Instituto de Educação de Minas Gerais – IEMG (hoje Faculdade de Educação da Uemg) e a Escola Guignard. Mais recentemente, o campus de Belo Horizonte instituiu a Faculdade de Políticas Públicas “Tancredo Neves”, compondo assim junto à Reitoria, seis unidades existentes da Uemg na capital mineira.

Além de Belo Horizonte, a Uemg cresceu de maneira vertiginosa nestes seus, ainda jovens, vinte e dois anos de existência e, conforme previsto na sua missão institucional e vocação multicampi, em zonas densas e povoadas do interior do nosso Estado como: João Monlevade, Barbacena, Ubá, Leopoldina, Poços de Caldas e Frutal antes carentes e desassistidas de Ensino Superior público e gratuito, oferta hoje cinquenta e sete cursos superiores (graduação e pós-graduação).

À época da instituição da Uemg pela Constituição Mineira, previu-se também, que com o decorrer do tempo, seis fundações de ensino superior localizadas no interior do Estado (Passos, Diamantina, Campanha, Ituiutaba, Divinópolis e Carangola) seriam absorvidas. Este projeto encontra-se em fase de implantação e, uma vez efetivado fará da Uemg a terceira maior Universidade pública de Minas Gerais.

Uma vez contextualizado o percurso da Uemg, retorno ao argumento central do tema que trata do “Campus de Belo Horizonte”. A expectativa de localização da Uemg em espaço único na forma de campus/sede Belo Horizonte, remonta à sua instituição vinte e dois anos atrás e, sempre foi tido como “objeto de desejo” por toda a comunidade acadêmica formada por professores, alunos e servidores que hoje ocupam seis diferentes prédios espalhados pela malha urbana da cidade, sendo que alguns deles alugados.

A lógica da proximidade das unidades em forma de Campus Universitário, em um mesmo espaço urbano, tráz incontestes vantagens para todos os atores envolvidos com o ensino, pesquisa e extensão os quais devem atuar de forma indissociável no ambiente acadêmico. Vale observar, que em um mesmo espaço físico, a integração entre os cursos se torna mais viável, facilitando a matricula por disciplina e proporcionando a pesquisa conjunta em áreas afins. No caso da Uemg, esta será uma grande oportunidade para seus estudantes uma vez que, dentre os diversos cursos ofertados em Belo Horizonte, predominam os das áreas humanas, artísticas e sociais aplicadas, o que possibilita uma maior integração entre elas. Desta maneira, os alunos da Escola de Design poderão fazer disciplinas e participar de atividades na Escola de Arte Guignard, realizar pesquisas com temas comuns na Faculdade de Educação e mesmo usufruir dos concertos e pesquisas da Escola de Música e da Faculdade de Políticas Públicas e, a mesma lógica pode ocorrer entre as demais unidades presentes no campus. Já a Escola Guignard usufruirá de dois espaços físicos: o existente e o a ser construído no campus.

Recordo com muito carinho na época que realizei meu percurso de doutorado junto à Universidade Politécnico di Milano na Itália. Nesta oportunidade pude participar de aulas e seminários com, dentre outros, o musico Ennio Morricone que fez uma interessante comparação entre a composição arquitetônica e a musical e também, com Umberto Eco que discorreu sobre a relação entre a semiologia e o design. Ressalto, que nenhum dos dois eram diretamente ligados ao nosso departamento de doutorado mas, como as aulas eram abertas aos estudantes do campus, pudemos usufruir destes momentos únicos de uma vida acadêmica. Sabemos que a tradição de campus universitário, e tudo o que ele acarreta e proporciona, vai muito além das salas de aulas, auditórios e de bibliotecas compartilhadas. Chamo a atenção para o exemplo norte americano e inglês, onde as atividades esportivas e culturais realizadas em seus campi, deram notoriedade à diversas instituições de ensino que nos revelaram não somente cientistas e professores mas, de igual forma, grandes atletas e artistas de talento.

Temos hoje, através do Governo de Minas, a oportunidade única de instituir o Campus da Uemg em Belo Horizonte no Bairro Cidade Nova. A Uemg será uma das âncoras da “Cidade da Ciência e do Conhecimento”, um arrojado projeto da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior – SECTES, que unirá nessa mesma região diversas instituições no âmbito do ensino, pesquisa, ciência, cultura e conhecimento como: Fapemig, Cetec, BioMinas, Serpro, Epamig, PlugMinas, Instituto Agronômico, Museu de História Natural e Jardim Botânico, além da Escola Técnico-industrial Prof. Fontes, em um avançado projeto urbanístico concebido pelo escritório do experiente ex-governador do Estado do Paraná, o arquiteto Jaime Lerner.

A guisa de conclusão, tenho certeza que a construção do Campus próprio da Uemg em Belo Horizonte, resgata a esperança de todos aqueles que contribuíram e contribuem para a consolidação desta Universidade. Em especial atenção, destaco à pessoa do prof. Aluisio Pimenta e, a sua eterna luta em favor da Uemg. Em reconhecimento o Conselho Universitário da Uemg, decidiu denominar o futuro campus de “Reitor Aluisio Pimenta”, em uma justa homenagem a quem dedicou o seu talento, engenho e arte à Universidade de todos os mineiros.

*Artigo completo do resumo publicado no Caderno Opinião do Jornal Estado de Minas em 28 de janeiro de 2012.

Dijon Moraes Júnior
Reitor

 

Palavra do Reitor - Janeiro de 2012

Dois mil e onze para Dois mil e doze: tempo de travessia, rito de passagem.
Este é um momento de balanço, de análise, de exame de consciência. O que fizemos na nossa UEMG desde o início da gestão atual? 

Para responder a pergunta, inauguramos este novo canal de comunicação com vocês, professor, servidor e aluno da UEMG, por meio da janela “Palavra do Reitor’. Nossa intenção é dividir as conquistas, compartilhar os desafios e tornar cada um de nós cúmplice da meta maior de fazer a história da nossa Universidade.

Começamos por apresentar alguns pontos que merecem nosso destaque, cobrindo o primeiro período de nossa gestão, de julho de 2010 a junho de 2011, até o último período, que engloba os últimos seis meses do ano recém-encerrado.

Comecemos pelo primeiro período julho 2010 a junho 2011:

  1. Remontamos a equipe de trabalho e instituímos rotinas que propiciassem maior agilidade aos procedimentos internos e externos da Universidade;
  2. Elaboramos coletivamente, aplicando o Planejamento Estratégico Situacional (PES), o Plano de Gestão 2010/2014, compatibilizando-o com o Acordo de Resultados;
  3. Inauguramos um novo estilo de gestão, com visitas periódicas às Unidades do interior e reuniões sistemáticas com as equipes gestoras;
  4.  Preparamos a Universidade para o processo de seu recredenciamento pelo Conselho Estadual de Educação (CEE);
  5. Estabelecemos novos canais de comunicação com o Governo e com parceiros externos à área governamental;
  6. Implantamos a Assessoria de Intercâmbio e Cooperação Interinstitucional, com atuação em níveis nacional e internacional, em busca da mobilidade acadêmica;
  7. Demos início ao processo de construção do Campus de Belo Horizonte pela assinatura de contrato com a empresa vencedora da licitação para elaboração do projeto executivo;
  8. Retomamos, juntamente com a SECTES, as negociações para a estadualização das fundações associadas;
  9. Criamos a Pró-reitoria de Extensão;
  10. Instituímos a Semana UEMG de extensão, realizada simultaneamente em todas as cidades onde a Universidade se encontra;
  11. Efetivamos a instalação da Unidade de Leopoldina;
  12. Reeditamos o Plano Mineiro de Capacitação Docente, com concessão de bolsas de doutorado para docentes por meio da FAPEMIG e da CAPES;
  13. Elaboramos o novo Manual de Identidade Gráfica e Visual da UEMG;
  14. Melhoramos o nosso acervo bibliográfico, com a aquisição de mais de seis mil novos títulos;
  15. Estreitamos nossa parceria com a UNIMONTES e elaboramos estratégias comuns;
  16. Participamos da elaboração da proposta de criação da Escola de Formação da Secretaria de Educação para a atualização de professores e dirigentes da educação básica em Minas Gerais;
  17. Passamos a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, responsável pela elaboração do Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI 2011-2030);
  18. Demos início ao projeto de criação de uma nova unidade dedicada à Educação  a Distância e participamos efetivamente da equipe de elaboração da Universidade Aberta de Minas Gerais, em uma iniciativa da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SECTES) utilizando a estrutura dos CVTs;
  19. Demos início ao processo de instituição da Unidade UEMG em Conceição do Mato Dentro, dando ênfase aos cursos superiores tecnológicos em consonância com as demandas regionais;
  20. Priorizamos nossas necessidades na perspectiva do que seria vital para a consolidação e expansão da UEMG e a lista resultante foi apresentada à SECTES.

Levantemos agora as principais ações efetivadas de julho a dezembro de 2011:

  1. Passamos a integrar o Conselho Curador da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG).  A direção da UEMG apresentou-se formalmente à instituição, com descrição de sua estrutura, mecânica de trabalho, desafios e plano de ação;
  2. Efetivamos o convênio de Duplo Título em Design junto ao Politécnico di Torino. Desde setembro de 2011, estudantes da UEMG já estão realizando a sua graduação no PoliTo. Promovemos ainda mais doze convênios internacionais com universidades europeias e passamos a integrar o Programa Ciências sem Fronteiras, do Governo Federal, enviando nossos estudantes para os EUA, Alemanha e Itália;
  3. Assumimos a Coordenação Geral da Bienal Brasileira de Design a ser realizada em Minas Gerais em 2012;
  4. Institucionalizamos o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e assistimos à eleição de sua primeira diretoria que irá recompor os nossos Conselhos Superiores em uma ausência de mais de 16 anos;
  5. Integramos o programa “Tríplice Hélice” da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) no “Pacto por Minas”, que envolve os setores Empresarial, Acadêmico e Governamental;
  6. Advogamos, em caráter de urgência, junto à Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG) a abertura de concurso público para admissão de 22 doutores para os novos mestrados em formação na Guignard, na ESMU e em Frutal;
  7. Obtivemos, junto à Prefeitura de Belo Horizonte, a doação do terreno onde se situa a Escola Guignard, o que nos permitiu regularizar sua situação predial;
  8. Finalizamos o projeto executivo do Campus BH, a ser construído na Av. João Cândido da Silveira, na Cidade Nova;
  9. Aprovamos, no Conselho Universitário, a venda de ativos próprios para a  construção do nosso campus em Belo Horizonte;
  10. Atentos à realidade e vocação local, disponibilizamos à sociedade mais dois novos cursos superiores: “Tecnologia em Alimentos” em Frutal e “Ciências Sociais” em Barbacena.

Estas não foram, certamente, as únicas ações desenvolvidas nos dois períodos contemplados. Foram algumas das concluídas com sucesso dentro da nossa proposta de trabalho, previamente apresentada à nossa comunidade acadêmica e consolidada no Plano de Gestão 2010-2014.

Temos, agora, uma nova estrada a palmilhar.  O ano de 2012 coloca-nos muitos desafios, mas também promessas de crescimento e consolidação, bem como novas frentes de trabalho.

E será de nosso empenho coletivo, da junção de nossas forças, que resultará uma grande Universidade do Estado de Minas Gerais.

Que tenhamos, todos nós, companheiros nessa jornada, muita saúde e um feliz 2012.

 

Dijon Moraes Júnior
Reitor



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