O aluno do curso de Pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais (FaE/UEMG), Bruno de Sena Marçal, conquista uma vaga na Edição República Dominicana do Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbios Sul-Sul, iniciativa promovida pelo Governo do Brasil. Mais do que garantir sua participação, Bruno é classificado em primeiro lugar entre os selecionados, resultado que evidencia seu percurso acadêmico comprometido com a educação pública, a justiça social e a valorização das culturas negras e afro-americanas.
O intercâmbio é realizado na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), em Santo Domingo, com atividades presenciais previstas entre 22 de fevereiro e 8 de março de 2026. O programa é uma parceria entre o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Ministério da Educação (MEC), o SEBRAE e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), sob a gestão da Ministra Anielle Franco. A iniciativa integra ações de formação, intercâmbio cultural e produção de conhecimento voltadas às experiências históricas, sociais e educacionais dos povos africanos e seus descendentes nas Américas.
O Caminhos Amefricanos tem como eixo central a noção de Amefricanidade, conceito elaborado pela pensadora Lélia Gonzalez, que reconhece as conexões históricas, culturais e simbólicas entre povos negros e originários do continente americano. Ao longo da experiência na FLACSO República Dominicana, os participantes terão contato com pesquisadores, instituições, coletivos culturais e iniciativas comunitárias, aprofundando reflexões sobre educação, identidade, memória, território e justiça social no contexto caribenho e latino-americano. A participação de Bruno dialoga diretamente com sua formação em Pedagogia e com sua atuação em projetos de educação comunitária e cultura.
Integrante do Kilombo Erês: Mensageiras dos Ventos e da Comunidade Tradicional de Samba de Coco – Coquistas de Tia Toinha, Bruno reúne trajetória acadêmica e engajamento territorial que justificam a seleção em primeiro lugar. Em suas palavras, o intercâmbio representa muito mais do que uma experiência individual:
"Uma oportunidade de ampliar repertórios pedagógicos, fortalecer redes latino-americanas e produzir aprendizagens que retornem à universidade e aos territórios tradicionais, contribuindo para uma educação crítica, antirracista e socialmente referenciada."
A conquista de Bruno Marçal projeta a FaE/UEMG no cenário dos intercâmbios internacionais Sul-Sul e reforça o papel da instituição na formação de educadores comprometidos com a transformação social. A seleção é mais uma demonstração de que a universidade pública mineira produz talentos capazes de representar o Brasil em espaços de excelência acadêmica e de diálogo intercultural, fortalecendo perspectivas decoloniais na educação e as políticas públicas de promoção da igualdade racial no campo acadêmico.
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