A Universidade do Estado de Minas Gerais – Unidade João Monlevade celebra a publicação de capítulo de autoria da servidora Renata Janaína do Carmo na obra Políticas públicas, interseccionalidades e formação: repensando as práticas educativas, publicada pela editora Paco Editorial.
Renata é autora do Capítulo 2, intitulado “Perspectivas de trabalho docente para as mestras e doutoras negras no Brasil: algumas reflexões”, resultado de pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Educação da UEMG. O texto propõe uma análise crítica sobre as condições de inserção profissional de mulheres negras na docência do ensino superior brasileiro.
Sobre o capítulo
O capítulo articula dados do Censo da Educação Superior (Inep/MEC) com referenciais teóricos que discutem interseccionalidade, desigualdades estruturais e epistemicídio. Ao dialogar com autoras como Kimberlé Crenshaw e Sueli Carneiro, a pesquisa amplia o debate sobre a democratização do conhecimento e o reconhecimento das contribuições intelectuais de pesquisadoras negras no Brasil.
A análise demonstra que, embora mulheres negras estejam cada vez mais presentes no ensino superior como estudantes, sua representação na docência universitária — especialmente em cargos de maior titulação e prestígio — ainda é marcada por profundas assimetrias.
A pesquisa evidencia que:
- A docência no ensino superior brasileiro exige, majoritariamente, titulação em nível de doutorado;
- A presença de docentes homens brancos permanece predominante nas Instituições de Ensino Superior;
- As políticas de ações afirmativas, embora representem avanços, ainda apresentam limitações práticas, especialmente em concursos com número reduzido de vagas;
- As interseccionalidades de raça e gênero intensificam barreiras de acesso, permanência e ascensão profissional.
Palavra da autora
Ao refletir sobre a questão central de seu capítulo, Renata Janaína do Carmo afirma que discutir equidade de gênero e raça nos espaços acadêmicos exige que todos os agentes educacionais desenvolvam uma postura crítica sobre suas próprias práticas.
Segundo a autora, os avanços conquistados na promoção da equidade racial — especialmente por meio da institucionalização das ações afirmativas e da criação do sistema de cotas — são constantemente fragilizados por políticas governamentais voláteis, que oscilam conforme os interesses de cada gestão.
Para ela, essa instabilidade intensifica os obstáculos enfrentados por mulheres negras em suas trajetórias de ascensão social nos campos da educação e do trabalho. A pesquisadora provoca: de que adianta garantir acesso parcial ao ensino superior se lhes é negada a oportunidade de (re)produzir conhecimentos nos espaços acadêmicos como docentes pesquisadoras?
Renata destaca ainda que possuir diploma de graduação, mestrado ou doutorado não assegura, por si só, o exercício pleno da profissão conforme a qualificação obtida, tampouco garante ascensão econômica e reconhecimento institucional nesses espaços.
Ela defende que a produção científica brasileira contemporânea ainda precisa avançar significativamente no reconhecimento das contribuições intelectuais das pesquisadoras negras, na garantia de sua participação efetiva nos espaços acadêmicos de decisão e na promoção de uma reflexão autocrítica sobre as estruturas de poder que perpetuam a exclusão. Para a autora, esses são passos fundamentais para uma real democratização do mercado de trabalho acadêmico no país.
A UEMG João Monlevade parabeniza a servidora pela relevante produção acadêmica e pela contribuição ao debate sobre equidade, políticas públicas e democratização da ciência brasileira.
Acesso ao livro Políticas públicas, interseccionalidades e formação: repensando as práticas educativas
