O projeto de pesquisa em biocarvão, desenvolvido pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) – Unidade Acadêmica de Frutal, já ultrapassa a marca de R$ 4 milhões em recursos captados, consolidando-se como uma das principais iniciativas científicas da instituição voltadas ao enfrentamento das emergências climáticas e à promoção de uma agricultura de baixo carbono.
Coordenado pela professora Osania Ferreira, em parceria com o professor e pesquisador Alan Rodrigues Teixeira Machado, além de outros docentes e estudantes da universidade, o projeto é desenvolvido desde 2018 e tem como foco a produção de materiais carbonáceos a partir de resíduos agrícolas, como bagaço de cana-de-açúcar, palha de milho, café e cana.
Segundo o professor Alan, o biocarvão se apresenta como uma tecnologia estratégica por unir benefícios ambientais e econômicos, permitindo o sequestro de carbono e contribuindo diretamente para o enfrentamento das mudanças climáticas. Do ponto de vista agronômico, o material melhora as propriedades físico-químicas e biológicas do solo, favorecendo a retenção de umidade, reduzindo a lixiviação de nutrientes e podendo resultar em ganhos de produtividade.
Os recursos são provenientes, principalmente, da FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais), alinhados às ações estratégicas voltadas à agricultura regenerativa e de baixo carbono. Até o momento, o grupo já produziu mais de 230 amostras de biocarvão, com processos produtivos otimizados e infraestrutura consolidada para garantir a qualidade do material.
Um dos novos desafios do projeto é a parceria com a Associação de Produtores de Cachaça do Cerrado Mineiro (CACEM). A proposta é incorporar o biocarvão no cultivo da cana-de-açúcar, possibilitando a produção da primeira cachaça de baixo carbono do Triângulo Mineiro, agregando valor ao produto e promovendo sustentabilidade em toda a cadeia produtiva.
Para a diretora da UEMG/Frutal, Karol Natasha Castanheira, a aprovação de mais um projeto com valor expressivo reforça o crescimento da unidade no cenário estadual de pesquisa.
“A direção da unidade fica muito feliz com mais um projeto aprovado, ainda mais com esse valor de um milhão e meio, que já soma mais de quatro milhões de reais em investimentos. Isso mostra a força dos nossos professores e da pesquisa da UEMG/Frutal, que vem ganhando um espaço significativo dentro da universidade e também no Estado como um todo. São vários projetos que evidenciam nossos avanços e resultados, fruto do esforço coletivo dos docentes. Ao longo desses anos, conseguimos estruturar muitos laboratórios graças a recursos de projetos universais, estruturantes e de demandas induzidas. No coletivo, a UEMG/Frutal vem crescendo e se transformando.”
A iniciativa reforça o papel da universidade pública na geração de conhecimento, inovação e soluções sustentáveis, conectando pesquisa científica, desenvolvimento regional e impacto social.
