Assessoria de Comunicação – UEMG Divinópolis
Texto: Elvis Gomes, com informações do LaTraPS-UEMG
O Laboratório de Trabalho, Saúde e Processos de Subjetivação da UEMG (LaTraPS) publicou, em novembro, o relatório da pesquisa "Plataformização do trabalho na Psicologia Clínica: atendimentos 'on-line', tecnoestresse e produção de conteúdos em mídias sociais". Organizada pelo Laboratório, a pesquisa foi coordenada pelo psicólogo e pesquisador Matheus Viana Braz, docente do Departamento de Psicologia da UEMG Divinópolis, e contou com a participação dos pesquisadores Amanda Thuns Biazzi e Caroline de Cuffa, da Universidade Estadual de Maringá (UEM); Thiago Casemiro Mendes, da Faculdade de Nova Serrana (FANS)/Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas); e Victor Martins dos Santos e Yasmin Alexandre Ferreira, da UEMG.
Segundo os pesquisadores, "considerando a crescente digitalização e plataformização da Psicologia Clínica, o relatório apresenta resultados preliminares de uma investigação cujo objetivo foi compreender os impactos dos atendimentos 'on-line' e da produção de conteúdos em mídias sociais na saúde de psicólogos(as) clínicos(as). Em termos metodológicos, foram realizadas entrevistas, aplicação de um questionário e de uma escala para avaliação do tecnoestresse em uma amostra de 170 participantes".
Ainda conforme os pesquisadores, "as mídias sociais são também plataformas de trabalho, de modo que a produção de conteúdo é mais um trabalho que se soma à jornada dos(as) psicólogos(as), profissionais estes que historicamente já tendem a acumular dois ou mais vínculos de trabalho para assegurarem sua subsistência".
No âmbito da saúde mental, alguns dados chamam atenção na pesquisa, conforme ressaltam os pesquisadores:
– 32% relatam exaustão cognitiva e emocional devido ao uso de tecnologias para realizar os atendimentos;
– 54% relatam se sentir pressionados pela lógica de produtividade exigida das plataformas de mídias sociais;
– 28% destacam a dificuldade em separar espaço profissional e espaço familiar devido ao trabalho remoto;
– 40% apresentam índices médios de tecnoestresse e 9% altos índices;
– No âmbito das dimensões que compõem o tecnoestresse, 32% apresentam altos índices de fadiga e 20% altos índices de ansiedade atrelada ao uso de TICs;
– Dentre os(as) psicólogos(as) com altos índices de tecnoestresse:
– 93% são mulheres;
– 73% dizem se sentir pressionados pela lógica de produtividade exigida pelas plataformas;
– 53% possuem dois ou mais vínculos de trabalho;
– 40% manifestam dificuldades para se desligar do trabalho;
– Somente 13% avaliam sua saúde emocional para realizar seus trabalhos remotamente como “ruim” ou “muito ruim”, o que indica que o tecnoestresse tende a não ser percebido imediatamente pelos(as) profissionais.
"Ao publicar este relatório, busca-se ampliar os espaços de discussões sobre a plataformização da Psicologia em território nacional, para além do contexto universitário", ressaltam os autores do trabalho. Eles dizem ainda que "desejam subsidiar investigações e debates futuros sobre as transformações do trabalho da Psicologia Clínica, sobretudo no âmbito de suas convergências com a plataformização, digitalização e uberização do trabalho". Ao mesmo tempo, "esperam contribuir com os conselhos regionais e federal de Psicologia, com vistas a delinear ações de sensibilização e proteção à saúde dos(as) trabalhadores(as), em face dos complexos desafios e contradições que atravessam esse ofício".
Clique aqui e confira o relatório
