Assessoria de Comunicação – UEMG Divinópolis
Texto e fotos: Thais Bento Moreira (estagiária de Jornalismo) | Orientação: Elvis Gomes e Isabella Marques
O Centro de Memória Professora Batistina Corgozinho (Cemud), da UEMG Divinópolis, tem como objetivo fomentar, promover, propor e viabilizar investigações a partir do seu acervo sobre questões relacionadas à memória, à oralidade, às tradições e ao patrimônio cultural, especialmente sobre o Centro-Oeste Mineiro. Além disso, realiza atividades de educação patrimonial, promovendo a valorização e a preservação do patrimônio cultural. Por exemplo, a Semana Nacional de Arquivos, a Semana de Museus e a Primavera dos Museus levam os estudantes e os docentes a refletirem sobre a importância do Cemud, fortalecendo o diálogo entre a sociedade e incentivando a participação ativa da comunidade na preservação da memória histórica e cultural da região.

História
De acordo com a coordenadora do Cemud, professora Flávia Lemos Mota de Azevedo, o Centro foi criado pela professora Batistina Corgozinho (1953-2013) a partir do projeto “Uso da tecnologia digital na preservação da memória histórico-cultural de Divinópolis e da preservação digital da memória”, desenvolvido entre 2001 e 2003, por meio da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais. Ela possuía acervos grandes, através de jornais, que contribuíram para o registro da história de Divinópolis e região, e, com isso, fundou o Centro de Memória, que pôde receber, guardar, pesquisar e disponibilizar estes acervos.

“A motivação do Cemud foi muito futurista. A professora Batistina queria que a gente tivesse acesso ao passado da história de Divinópolis e aos documentos para que tivesse um potencial para pesquisar. A gente guarda registro do passado para o futuro. O Cemud colabora com os estudantes de várias formas, como o estágio e a formação e uma preparação profissional, além de projetos de pesquisa e extensão. Os alunos podem trabalhar e pesquisar os acervos. Eventos culturais e científicos, exposição, atividade cultural, oficinas, mesas-redondas, palestras: todas estas atividades contribuem para a formação dos alunos, de forma intelectual, profissional, cultural e artística”, relatou a professora.
O Cemud, na época de sua criação, realizou o projeto de digitalização do acervo do Arquivo Público de Divinópolis para criação de um banco de dados e acesso aos documentos digitais.

Acervos
O servidor André Alcântara Aguiar (analista universitário e historiador) disse que se formou em História na UEMG Divinópolis e que o Cemud foi um lugar muito importante para ele como estudante, pois é um arquivo com acervos que foram muito ricos para sua formação como historiador. O Cemud ofereceu a ele oportunidades e contato com pesquisas através de documentação histórica, na qual ele pôde ter a visão historiográfica mais ampla e através do seu perfil profissional.
“A minha trajetória relacionada com o Centro de Memória tem a ver, no princípio, como monitor de um evento, a Semana Nacional de Museus. Já conhecia o Centro de Memória, e, como ajudante voluntário, foi importante demonstrar o conhecimento da história e da memória da região. Essas possibilidades de prática, de entender essa missão de salvaguardar as tradições, a cultura e a história de Divinópolis e região têm muito a ver com a tentativa das nossas áreas e demandas tecnológicas... As redes sociais tentam adaptar as novas tecnologias, pois essas novas técnicas facilitam para os pesquisadores encontrar aquilo que precisem e desenvolver ferramentas para o público especializado realizar as pesquisas”, informou.

Preservação de documentos
Segundo a ex-estagiária do setor Michelly Nayder, estudante do curso de História da UEMG Divinópolis, o Cemud também foi muito importante para a sua trajetória acadêmica, pois ela teve oportunidade de aprender mais sobre a preservação cultural, higienização, catalogação de arquivos de acervos, curadorias de eventos e oficina de patrimonial, entre outras atividades.
Ela afirma que “o Cemud, como um Centro de Memória que oferece para a gente um acervo de pesquisas primárias, é fundamental para a formação e me possibilitou compreender muito mais sobre a importância da memória e da preservação. É importante para a complementação do aprendizado no curso de História, e, entre outros cursos, o Centro de Memória oferece aos alunos e à comunidade externa um espaço de pesquisa, oficina e desenvolvimento de atividades. Os alunos têm contato com outras atividades além da sala de aula, como oficinas patrimoniais, de conservação e preservação de acervos e de pesquisa e sobre a importância do Centro-Oeste Mineiro, pois é um espaço de democratização do conhecimento, tendo o objetivo de atender à comunidade acadêmica e externa, e a preservação do patrimônio histórico e sociocultural da memória regional”, afirmou.
Organização de acervos
O bolsista Arthur Silva Asevedo, estudante do 1º período do curso de História, salientou que o Cemud é um espaço de interdisciplinaridade interessante para o seu processo de formação. “Eu já estou aqui no Cemud há bastante tempo, e isso faz que os espaços e as pessoas acabem contribuindo para a formação. O curso de História tem uma visão teórica de um fazer historiográfico que é difícil de assimilar, e, aqui, acaba sendo um espaço em que encontramos oportunidade de assimilar os conhecimentos e colocá-los em prática, contribuindo bastante para desenvolver como historiador uma ciência, um conhecimento de que História não são apenas contos grandiosos. A História está nas pequenas coisas. Por se tratar de um acervo local, há a oportunidade de analisar essa parte que não tem destaque e acaba desenvolvendo o manuseio e a ajuda na organização dos acervos, a digitalização e conhecimento e desenvolvimento de eventos, dando suporte em atividades. Eu tenho focado mais em digitalizar jornais e fazer o processo de catalogá-los e adicioná-los em repositório digital para que as pessoas tenham acesso a eles de forma digital”, ressaltou.

O Cemud tem um repositório digital para divulgação de acervos, o Portal EmRedes (www.emredes.com.br), composto por vídeos, fotografias, documentos, notícias, informativos e publicações relacionados às atividades do Centro. Além disso, é um importante mecanismo de banco de dados, no qual é possível realizar pesquisas do acervo físico já digitalizado e disponibilizado na plataforma. Seu principal objetivo é preservar, facilitar e difundir seu acervo, para que a memória e a história do Centro-Oeste Mineiro sejam acessíveis da melhor forma possível para pesquisadores e demais interessados em seus conteúdos.
