Mesa do 27º Seminário de Pesquisa e Extensão debateu práticas que conectam universidade, povos tradicionais e comunidades surdas, destacando planejamento e permanência
Na mesa “Conhecimento em Movimento: A extensão que faz circular novas ideias”, realizada no 27º Seminário de Pesquisa e Extensão da UEMG, professores extensionistas defenderam a extensão universitária como espaço de coprodução de conhecimento e articulação com movimentos sociais. A discussão foi mediada pelo pró‑reitor adjunto de Extensão Antônio (professor da FaPPGeN/UEMG), o professor Tuender Durães (Escola de Design/UEMG) e o pesquisador Emanuel Almada (Departamento de Antropologia e Arqueologia/UFMG).
Os debatedores trouxeram relatos práticos — de criação de materiais didáticos em Libras a programas com mestres e mestras de saberes tradicionais — e enfatizaram que extensão exige escuta, planejamento e financiamento sustentável.
Extensão e inclusão
Tuender Durães, professor de ensino superior na UEMG e doutorando em design pela Escola de Design da UEMG, descreveu seus projetos voltados à inclusão de pessoas surdas no ensino e no mercado. Segundo ele, a produção de materiais didáticos e a definição de sinais específicos para a área de design é um ponto central para reduzir atrasos linguísticos e garantir acesso real ao ensino da área pela comunidade durda: "O meu projeto, a minha tese, é buscar justamente esse desenvolvimento de materiais, de estratégias focadas na pessoa surda, para que esse material seja mais claro, seja mais objetivo no seu uso, propriamente dito, para o surdo conseguir perceber tudo aquilo que está sendo apresentado. E esse material também tem como objetivo diminuir esse atraso linguístico que as pessoas surdas durante muito tempo tiveram". Ele apresentou ainda iniciativas práticas, como jogos em Libras e oficinas imagéticas, para aproximar ouvintes e surdos em escolas, hospitais e empresas.
Saberes tradicionais como produção de conhecimento
Emanuel Almada — ex‑professor da UEMG e atualmente no Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG — inseriu a extensão na crítica à universalidade da ciência (a pretensa supremacia da ciência como único protagonista na produção de conhecimento) e defendeu a valorização de saberes populares e tradicionais. Para ele, os projetos com comunidades (carroceiros, benzedeiras, quilombolas, indígenas) não são meramente didáticos, mas difusores e perpetuadores de conhecimento: "Essa nossa forma hegemônica de produzir conhecimento [por meio da ciência], ela não tem muito mais que 400, 500 anos... E esses saberes todos, saberes de uma benzedeira sobre uma planta, ou saberes de um pescador sobre as técnicas de pesca, de tecer uma rede, eles são expressões de modos de produção de mundos". Emanuel ressaltou experiências do projeto Encontro de Saberes e a importância de reconhecer osa saberes perpetuados por mestres e mestras.
Planejamento, permanência e financiamento
O pró‑reitor adjunto de Exensão Antônio conduziu o diálogo destacando a necessidade de articular estratégia e permanência nas ações extensionistas: "O nosso objetivo aqui hoje é ouvir a experiência dos professores, a experiência profissional e a trajetória extensionista e tentar hoje, juntos, chegarmos a esse entendimento de que tipo de extensão que faz circular novas ideias." Na sequência, os debatedores concordaram que a extensão eficaz exige escuta prolongada, articulação com movimentos sociais e soluções criativas para enfrentar limitações orçamentárias e burocráticas — como a transformação de emendas parlamentares em bolsas, parcerias com organizações comunitárias e elaboração de editais adaptados às especificidades locais.
A mesa mostrou que, para além de intervenções pontuais, a extensão que “faz circular novas ideias” precisa ser um esforço coletivo e duradouro: combina pesquisa, ensino e intercâmbio com saberes que vêm de fora dos muros acadêmicos. As experiências relatadas por Tuender e Emanuel apontam caminhos práticos (materiais em Libras, jogos, encontros de saberes, remuneração de mestres) e abstratos (escuta, respeito e parcerias) para quem pretende transformar a extensão em instrumento de transformação social.
A comunidade universitária é convidada a acompanhar as demais atividades do 27º Seminário de Pesquisa e Extensão da UEMG e conferir a programação completa em https://www.uemg.br/27-seminario-pesquisa-extensao
