Com esse intuito, foram recepcionados os calouros dos cursos da Escola de Design da UEMG, do Campus Belo Horizonte, entre os dias de 25 e 26 de fevereiro, com uma apresentação da história da Escola, realizada no Espaço Cultural recém-inaugurado, na Praça da Liberdade, proferida pela professora Giselle Hissa Safar. O que poderia soar entendiante, em um primeiro contato, em pouco tempo de apresentação se transforma em engajamento e sentimento de pertencimento. O segredo é extrapolar o entendimento meramente institucional, relembrar as memórias afetivas que tiveram a Escola como cenário ou como protagonista. Reminiscências de manifestações, mas também enredos de festas; a aptidão para a plena expressão criativa e também de reconhecimento nacional e internacional obtidos.
"Não é bem uma aula", explica a professora, "Na verdade, é uma apresentação sobre a história da escola, em que eu mostro toda a trajetória que tivemos com relação ao espaço físico; os dramas, como nós saímos dos lugares e fomos perdendo os espaços… E como a vinda para cá [o antigo Prédio do IPSEMG, em plena Praça da Liberdade], que não foi buscada por nós, foi concedida, no fim das contas acabou sendo quase uma 'justiça poética' por tudo que nós sofremos em termos de espaço físico."
Foram diversas sedes ao longo de seis décadas de existência, que remontam de sua existência como fundação, até optar pela absorção pela UEMG, na década de 1990. Ainda que pertencente a uma rede pública estadual de ensino estadual que conta hoje com Unidades em dezesseis cidades, o tempo forjou uma identidade própria, segundo a própria professora: "somos uma Escola irreverente", informou aos calouros. "O primeiro semestre de vocês ainda veremos muita cara séria, mas vocês se descobrirão durante o percurso da graduação e passarão a incorporarar também essa que é uma de nossas características mais marcantes", profetizou.
Por essa estreita relação das atividades acadêmicas da Escola e sua trajetória conturbada de ocupações em espaços físicos, a realização do acolhimento aos calouros demonstra também um componente político. Segundo a professora, além de recepcionar os estudantes que terão a maior probabilidade de desfrutar o espaço em um belo ambiente como o que abriga a Exposição Continuum, o ato é também uma forma de marcar a ocupação do espaço.
Não por acaso, a mudança para a nova sede segue cercada de expectativas e dúvidas: "O que, infelizmente, a experiência nos mostra é que: a entrega seria em 2015, prorrogou-se então até 2017; em 2017, foi prometido para 2018; em 2018, passou para 2019, e aqui estamos. Sabemos que, tecnicamente, falta pouca coisa da obra. Mas a partir daí teríamos que passar por toda parte de instalação, de internet, cabeamento telefônico, e o problema não é somente o tempo, são também os recursos. Não sabemos se, nesse cenário [político e econômico] a UEMG terá os recursos financeiros necessários para conclusão, pois sabemos que a Universidade também tem outras demandas", pontua.
Enquanto os demais espaços da nova sede da Escola de Design não são entregues, (o Governo de Minas tem acenado positivamente para a retomada das obras de reforma), a intenção é manter atividades para ocupação do espaço: "sabe o que nos dá segurança? Duas coisas, e ambas relacionadas à atual gestão da Universidade: o apoio na batalha toda para que inaugurássemos ao menos o Espaço Cultural e fincássemos nossa 'bandeira' por aqui; e a extrema disposição e gana, que nos avalizam a reivindicar e pressionar politicamente por soluções", avalia Giselle.
